Senti uma pontada me atravessar por inteiro, mas não consegui responder antes que outra contração me dominasse. Com outro grito, me inclinei para a frente. Desta vez, tanto Lilith quanto Sophia me agarraram, uma por cada braço.
— Leve-a para a sua casa. — Lilith ordenou a Sophia com um fogo nos olhos que teria me tirado o fôlego, se eu ainda tivesse algum para perder.
— Se tentar qualquer gracinha, eu corto a sua garganta.
Sophia engoliu em seco, mas assentiu. Eu queria protestar, mas a dor era intensa demais, então deixei que elas me guiassem com cuidado para fora da floresta e até a estrada, onde o carro de Sophia estava estacionado.
— Uma ambulância ou ir para o hospital só alertaria Alexander sobre o parto. — Explicou Sophia enquanto me ajudava a sentar no banco traseiro do carro e começava a arrancar pela beira da estrada.
— Não há como saber o que ele faria nesse caso. Você terá que dar à luz secretamente na minha casa e, depois, resolver o que fazer a partir daí. Minha família ajudará você a se manter em segurança pelo tempo que for preciso.
Eu ainda não tinha certeza se ela estava certa sobre Alexander, mas, àquela altura, o trabalho de parto estava se tornando intenso demais para eu conseguir pensar com clareza. O trajeto até a casa de Sophia foi um borrão e, antes que eu percebesse, estava sendo levada às pressas para um dos quartos de hóspedes e deitada sobre uma grande cama com vários cobertores e um balde de água morna.
O que aconteceu em seguida foi indescritível. A dor era tão avassaladora que eu não conseguia falar, não conseguia pensar; só podia gritar, agarrar os cobertores e rezar para que aquilo acabasse logo.
E acabou rápido. Rápido demais.
Primeiro, veio uma série de ondas de dor cegante, cada uma mais longa e intensa que a anterior, enquanto figuras que eu nem sequer reconhecia se moviam ao meu redor em um borrão frenético.
Então veio o empurrão final.
Algo morno e espesso jorrou entre minhas pernas, e olhei para cima a tempo de ver o rosto de Lilith ficar pálido.
— Continue empurrando, querida. Você já está quase lá. — Ela sussurrou com um sorriso encorajador, mas sua voz soava trêmula.

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