Ponto de vista de Alexander.
Eu estava até o pescoço com contratos de fornecedores para o piquenique de apoiadores quando meu telefone tocou. Gabriel andava de um lado para o outro no meu escritório, metralhando dados logísticos sobre o equipamento de som e protocolos de segurança, mas eu mal conseguia ouvi-lo por causa da planilha que estava revisando.
O visor do celular mostrou o nome de Liam, o que era estranho. Ele raramente me ligava diretamente. Havíamos estabelecido uma espécie de quase-amizade distante desde o tempo em que ele morou aqui, principalmente pelo bem de Ella, mas não éramos próximos o suficiente para telefonemas casuais para pôr o papo em dia.
— Alexander, você precisa vir para o Memorial Hospital agora mesmo. — Disse Liam no instante em que atendi.
Meu sangue gelou na mesma hora.
— O que aconteceu?
— É a Ella. Ela passou mal enquanto almoçávamos e desmaiou. Os paramédicos a trouxeram há cerca de vinte minutos.
O telefone quase escorregou da minha mão.
— Ela está bem? O bebê—
— Não sei ainda. Não querem me dizer nada porque não sou da família. — O tom de voz habitualmente calmo de Liam havia sumido.
— Apenas venha. Rápido.
Eu já estava pegando minha jaqueta antes mesmo de desligar. Gabriel parou no meio da frase, com as sobrancelhas erguidas.
— O que há de errado?
— Ella desmaiou e foi para o hospital, preciso ir. — Expliquei, vestindo a jaqueta às pressas.
Gabriel apenas pareceu exasperado.
— Alfa, tenho certeza de que ela está bem. Fêmeas grávidas têm tonturas o tempo todo. Ainda precisamos finalizar estes contratos—
Virei-me bruscamente para fulminá-lo com o olhar.
— Você não me ouviu, Gabriel? Minha companheira — sua Luna — está no hospital. A porra dos contratos pode esperar.
A boca de Gabriel se fechou diante da autoridade no meu tom, mas eu já estava na metade do caminho para fora da porta, sem me dar ao trabalho de me deter em sua reação insubordinada por enquanto.
O trajeto até o hospital pareceu levar horas em vez de quinze minutos, mas finalmente cheguei — provavelmente violando umas duzentas leis de trânsito no processo. Entrei cantando pneu em uma vaga de estacionamento e mal esperei o carro parar completamente antes de disparar para o interior, onde Liam já me esperava. Ele me guiou até o quarto dela, e eu me preparei para o pior antes de entrar.
Mas quando passei pela porta, Ella estava sentada na cama, parecendo surpreendentemente alerta. Ela estava um pouco pálida, mas, fora isso, parecia bem. Pelo menos por fora.
— Alexander. — A voz dela estava trêmula. Meu lobo emergiu instantaneamente assim que senti seu medo através do vínculo de companheiros; cada instinto de proteção de repente disparou como se uma bomba tivesse explodido no meu peito.
Alcancei o lado dela em três passos, minhas mãos indo imediatamente ao seu rosto para checar se havia ferimentos. Envolvi suas bochechas, virando sua cabeça para um lado e para o outro, até mesmo passando os dedos pelo seu pescoço, como se temesse encontrar uma fratura.
— Você está machucada? O que aconteceu? — Deixei escapar.
— Estou bem. O bebê está bem. — Ela cobriu minhas mãos com as dela e encontrou meu olhar com um sorriso fraco.
— Eu só passei muito mal no almoço e desmaiei. Estão fazendo alguns exames para descobrir o que causou isso.
A Dra. Evelyn, que permaneceu por perto durante toda aquela interação, limpou a garganta.
— Ella me contou que vem apresentando náuseas e vômitos prolongados, o que inicialmente atribuímos aos sintomas típicos da gravidez. No entanto, o exame de sangue revelou algo preocupante.
Meu estômago afundou e virei-me bruscamente para a médica.
— Preocupante como?
A médica respirou fundo.
— Encontramos níveis elevados de mercúrio na corrente sanguínea dela. Não são níveis de perigo imediato, mas são altos o suficiente para causar os sintomas que ela vem apresentando. — A Dra. Evelyn consultou sua prancheta.
— Parece ser decorrente de intoxicação alimentar, provavelmente pelo consumo de peixe.

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