Ponto de vista de Alexander.
Assuntos para resolver. Certo.
A verdade era que eu inventara aquela desculpa porque precisava me afastar de Ella antes que fizesse mais alguma besteira.
Dançar com ela sob a luz da lua foi a mais doce das torturas. O modo como ela se encaixava em meus braços, a rosa em seus cabelos, a absoluta adoração em seus olhos a cada vez que olhava para mim.
E aquele beijo. Deusa, aquele beijo no banquete.
Meu lobo ficou completamente selvagem quando Ella me puxou pela gola em direção à sua boca. O gosto dela, a forma como ela me correspondia, o pequeno som que soltou quando a beijei de volta. Honestamente, aquilo exigiu cada gota do autocontrole que eu possuía para não carregá-la para fora daquele salão e ir direto para a nossa cama.
Eu queria arrancar aquele vestido azul-noite do seu corpo e adorar cada centímetro de sua pele. Queria marcá-la novamente, ainda mais fundo desta vez, até que não restasse dúvida alguma sobre a quem ela pertencia. Queria me afundar nela e fazê-la minha de todas as formas possíveis.
Mas eu não podia. Ainda não.
Não até ter certeza absoluta se ela era uma espiã enviada por sua família para me destruir.
A carta que Gabriel me entregou vinha me corroendo por dias. A família de Ella definitivamente orquestrou a morte dos meus pais — eu tinha provas concretas disso agora. E, quer Ella soubesse ou não, uma coisa era muito clara: eles a enviaram aqui como uma ferramenta para me manipular.
E se ela fosse exatamente o que Gabriel suspeitava, uma arma perfeitamente treinada para me fazer apaixonar por ela?
E se ela soubesse de tudo e tudo isso não passasse de uma linda mentira?
O pensamento fazia meu peito doer, mas eu não podia ignorar essa possibilidade. Meus pais tinham sido mortos pela família de Ella. Eu não podia me arriscar a deixar o mesmo acontecer comigo — ou algo pior —, caso me abrisse para ela com facilidade demais.

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