Ponto de vista de Ella.
O resultado do teste de gravidez queimava um buraco no meu bolso. Duas linhas rosa em um pequeno bastão plástico branco, junto com a papelada oficial do laboratório que confirmava o que aquelas linhas significavam.
Eu estava carregando o filho de Alexander.
Por três dias seguidos, tirei aquele teste do bolso e fiquei encarando-o, tentando assimilar a realidade do que estava crescendo dentro de mim. Três dias segurando a prova nas mãos enquanto meu marido me evitava como se eu tivesse uma doença contagiosa.
Três dias olhando para o folheto sobre a interrupção da gravidez e tentando decidir o que diabos eu ia fazer.
Na primeira manhã após a nossa conversa sobre filhos, acordei com a cama vazia e o som distante do carro de Alexander saindo pela garagem. Ele não voltou até bem depois da meia-noite, muito depois de eu já ter ido deitar.
O padrão continuou. Saídas de madrugada, retornos tardios e absolutamente nenhuma interação entre nós durante seus breves momentos em casa. Se Alexander já estava me evitando antes da nossa noite juntos, agora ele estava ativamente fugindo de mim.
Mas, apesar de sua óbvia aversão à ideia de ser pai, eu não conseguia me impedir de imaginar como seria. Tarde da noite, quando o sono não vinha, eu me pegava imaginando um garotinho com os olhos verdes de Alexander, ou uma menina com os meus olhos, mas com os cabelos ruivos e intensos dele.
Imaginei ensinar os dois a ler no jardim, Lilith assando biscoitos para os aniversários deles, jantares de família. Imaginei Alexander erguendo uma criança pequena nos ombros.
As fantasias eram tão vívidas e dolorosamente lindas que eu acordava com lágrimas nas bochechas e um vazio no peito que me fazia sentir como se estivesse me afogando.
Mas então a realidade voltava com tudo, exatamente como sempre fazia, quando eu ouvia o clique sutil da porta pela manhã, sinalizando a partida de Alexander.
Aquela não era a situação com que eu sonhei quando pensava em ter filhos. Sempre imaginei que aconteceria com um companheiro que me amasse, em um lar cheio de calor e segurança.
Não com um marido que mal suportava a minha presença e um casamento que estava destinado a terminar em rejeição.
Que tipo de vida seria essa para uma criança? Crescer sabendo que o pai nunca a quis? E isso presumindo que eu sobrevivesse o suficiente para o bebê nascer.
Os avisos da Dra. Evelyn ecoavam na minha mente constantemente. Meu corpo mal conseguia sustentar a minha própria vida agora, como eu poderia pedir que ele sustentasse outra? A única noite de paixão que compartilhamos, que resultou nesse bebê, podia ter me dado um aumento temporário de energia, mas, sem a marca de Alexander para completar o nosso vínculo de companheiros, eu só ficaria mais doente com o passar dos meses.
Eu poderia morrer no parto. Ou pior, poderia morrer antes mesmo de o bebê ser se densenvolver direito, levando uma vida inocente comigo.
— Ella, querida, você está encarando essa coisa há uma hora.
Olhei para cima e encontrei Lilith parada na porta do meu quarto, a preocupação estampada em suas feições.
— Não sei o que fazer. — Admiti, colocando o teste de volta sobre a penteadeira.
Lilith aproximou-se e sentou-se na ponta da minha cama.
— O que o seu coração diz?
— Esse é o problema. Meu coração quer este bebê desesperadamente, mas minha cabeça sabe que é uma péssima ideia. — Esfreguei as têmporas e suspirei.
— Se eu o mantiver, posso morrer. E mesmo se eu sobreviver, que tipo de mãe eu seria? Doente, fraca, casada com um homem que não quer nenhuma de nós duas?
— O Alexander pode te surpreender, os homens costumam mudar de ideia quando confrontados com a realidade da paternidade. — Disse Lilith, gentilmente.
Balancei a cabeça.
— Você não viu o rosto dele quando perguntei sobre filhos. Ele parecia horrorizado com a simples ideia. E agora ele nem sequer fica na mesma casa que eu por mais do que algumas poucas horas por vez.
— Talvez ele esteja apenas processando...
— Não. — Levantei-me abruptamente e caminhei até a janela, olhando para a entrada da garagem. O carro dele não estava lá, como sempre.

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