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A Última Chance da Luna Adoecida romance Capítulo 126

— Sente-se, querida. Você vai acabar ficando ainda mais doente se continuar em pé. Como está se sentindo?

— Como uma merda. — Respondi com toda a honestidade, desabando em uma das cadeiras da mesa da cozinha.

Lilith limpou as mãos no avental e veio se sentar ao meu lado. Ela pareceu fazer brotar do nada uma xícara de chá fumegante e um daqueles biscoitinhos secos, mas saborosos, ótimos para molhar na bebida. Peguei o copo com gratidão.

— Fiquei sabendo do que aconteceu. Sinto tanto pela caixinha de música da sua mãe.

As palavras fizeram meu peito se apertar todo de novo. Eu vinha tentando não pensar naquilo, mas agora a imagem daqueles pedaços quebrados espalhados pelo chão voltou com tudo.

— Era a única coisa que eu tinha dela, a única coisa que me ligava a ela. — Disse baixinho.

— Ah, meu amor. — Lilith se aproximou e me acolheu em seus braços, e eu me deixei levar. Escondi o rosto no ombro dela e finalmente me permiti chorar.

— Eu nem sequer pude conhecê-la. Ela morreu quando eu era apenas um bebê. E aquela caixinha de música era o único pedaço dela que me restava, a única coisa que foi realmente dela. — Solucei.

— Eu sei, eu sei. Não é justo. Nada disso é justo. — Lilith acariciou meu cabelo, emitindo sons baixos e reconfortantes.

Chorei até meu peito doer e meus olhos arderem. Lilith apenas me segurou, sem tentar oferecer clichês vazios ou me dizer que tudo ficaria bem. Ela simplesmente me permitiu viver o meu luto.

Quando as lágrimas finalmente cessaram, afastei-me e limpei o rosto com a manga do robe.

— Desculpe. Eu sou um desastre.

— Você tem todo o direito de estar chateada. Aquela garota não tinha o direito de tocar nas suas coisas. — Afirmou Lilith, convicta. —

— Não é só pela caixinha de música, fico pensando no seu relicário também. Aquele que a Sophia destruiu no leilão de caridade. Era uma herança da sua família, e acabou quebrado por minha causa. — Admiti.

A expressão de Lilith se contraiu de dor por um momento, mas ela segurou meu rosto com uma das mãos e disse com ternura:

— Ella, aquele relicário era apenas um objeto. Sim, tinha um valor sentimental, mas coisas podem ser substituídas. Você não.

— Mas significava tanto para você. Pertenceu à sua avó, à sua mãe... — Senti novas lágrimas ameaçando cair, embora parecesse que eu já não tinha mais nenhuma de onde tirar.

— E agora se foi porque você foi bondosa comigo.

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