Ela realmente achou que Erasmo fosse deixá-la, exatamente como a sua mãe havia feito, desaparecendo para sempre da sua vida.
Já quase não lhe restava família. Quase ninguém.
Adelina estava parada do lado de fora da porta. Os soluços abafados e angustiados de Clarice fizeram os seus próprios olhos se encherem de lágrimas.
Clarice chorou ininterruptamente até a exaustão, rendendo-se apenas quando o seu corpo não tinha mais forças para continuar.
Quando ela saiu do banheiro, Adelina ainda estava na porta, também com os olhos avermelhados.
— Clarice, você está com fome? Quer comer alguma coisa? — Adelina fungou de leve.
Um gosto amargo invadiu o coração de Clarice. Ela quase havia causado a morte de Erasmo. Se ele realmente tivesse partido, os sonhos de Adelina jamais se realizariam, e ela não poderia mais viver como a garota despreocupada de sempre.
— Me perdoa, Adelina... Eu quase matei o seu irmão... Eu quase...
Adelina balançou a cabeça, deu-lhe um empurrãozinho de leve e fingiu estar irritada.
— Do que você está falando? Se você repetir uma besteira dessas, eu acabo com você.
Além disso, o meu irmão é abençoado e osso duro de roer. Ele é alguém que nem a Morte tem coragem de levar facilmente.
Então, por que você está me pedindo desculpas? Se vamos culpar alguém, a culpa é daquele bandido.
Clarice conseguiu forçar um sorriso fraco.
Nesse instante, o monitor cardíaco no quarto começou a apitar freneticamente. O rosto de Clarice empalideceu e ela correu para lá o mais rápido que pôde.
— O que está acontecendo?
Ela parou ao lado da cama e encarou o monitor, observando a frequência cardíaca disparar descontroladamente.
— Não faço ideia, mas já chamei o médico — respondeu Leandro Neves.
Vários médicos e enfermeiras entraram apressados.
— Doutor, por favor, olhe para ele! — Clarice implorou, consumida pela ansiedade.
A equipe médica começou a agir rapidamente, enquanto Clarice permanecia de pé no fundo do quarto, sem conseguir ficar parada.
Esfregando as mãos nervosamente, toda a sua atenção e o seu coração estavam voltados para o homem deitado naquela cama.
Por favor, não deixe que nada de mal lhe aconteça!
Após uma série de avaliações, constataram que não havia nada grave; tratava-se apenas de uma reação ao estresse pós-traumático.
Se tudo corresse bem, ele acordaria naquela mesma noite.
Sem saída, levantou-se rapidamente e caminhou em direção à porta, forçando um sorriso falso.
— O Sr. Neves adora fazer piadas. Vamos conversar lá fora.
O cair da noite trouxe uma novidade: os dedos de Erasmo se moveram de leve.
— Erasmo, você acordou? — O rosto de Clarice iluminou-se em uma expressão de pura alegria.
O movimento de seus dedos tornou-se mais vigoroso, até que Erasmo abriu os seus belos e cativantes olhos.
— Erasmo, finalmente você acordou!
Como havia machucado o pescoço, Erasmo não conseguia virar o rosto completamente.
Clarice levantou-se da cadeira, e só então ele pôde enxergá-la.
— Você se machucou?
A sua voz saiu rouca e áspera, mas para os ouvidos de Clarice, soou como uma verdadeira melodia celestial.
— Eu não me machuquei. Está sentindo dor em algum lugar? — Clarice alternava entre o choro e o riso.

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