— Clarice, eu cheguei, eu cheguei!
A voz de Adelina foi ficando cada vez mais próxima, e Clarice passou a gritar ainda mais alto.
— Adelina, salva o seu irmão, rápido!
Quando Adelina finalmente a alcançou e viu a cena, o seu rosto ficou pálido como cera.
Adelina não sabia o que fazer. Ela tentou puxar Clarice, mas não conseguiu movê-la nem um milímetro.
— Salva o seu irmão primeiro, tire ele daqui! — gritou Clarice.
Adelina tentou então puxar Erasmo, mas a verdade era que ela não tinha força para mover nenhum dos dois.
As lágrimas também começaram a rolar pelo rosto de Adelina.
No final das contas, foi Leandro Neves quem chegou correndo com os seus homens.
— Rápido, ande logo! — Adelina o agarrou com desespero, sacudindo-o pelos ombros.
Leandro Neves acenou com a mão, e a sua equipe começou a trabalhar no resgate.
Quando Clarice e Erasmo finalmente foram retirados das ferragens, a polícia e a equipe de resgate já haviam chegado ao local.
Luan e Erasmo foram colocados nas ambulâncias. Embora Clarice parecesse estar em estado crítico por estar coberta de sangue, na realidade, ela havia sofrido apenas escoriações leves.
Clarice segurou a mão de Erasmo, e as lágrimas não paravam de cair de seus olhos.
O médico socorrista tentou tranquilizá-la, explicando que Erasmo não corria risco de vida no momento, mas tinha um corte profundo que precisaria de pontos.
O coma era resultado da perda excessiva de sangue e de uma leve concussão cerebral.
No entanto, Clarice não absorveu uma única palavra; ela apenas segurava a mão dele, chorando copiosamente.
O médico, percebendo que era inútil tentar acalmá-la, desistiu de falar.
Assim que chegaram ao hospital, Erasmo passou por uma bateria de exames detalhados, e os resultados confirmaram o diagnóstico inicial do socorrista.
Ele foi acomodado no andar superior, tendo o corredor inteiro exclusivamente para si.
Clarice não saiu do seu lado nem por um segundo. Enquanto Erasmo não acordasse, ela jamais conseguiria ficar em paz.
Adelina tentou convencê-la a descansar, mas Clarice apenas balançou a cabeça. Como ela poderia pensar em descansar numa situação daquelas?
Adelina ia insistir, mas Leandro Neves segurou o seu braço.
— Obrigada. Se ele acordar, por favor, me avise.
Ela não perdoaria aquele desgraçado, mas antes precisava descobrir quem mais estava por trás daquele atentado.
Se tivessem tentado machucar apenas a ela, ela poderia até ter alguma piedade. Mas por terem ferido Erasmo, ela os faria sofrer cem vezes mais.
— Clarice, você está em um estado lastimável. Eu trouxe roupas limpas, vá pelo menos tomar um banho e se trocar — Adelina levantou-se novamente ao ver que Clarice havia voltado a falar.
Se o meu irmão acordar e vir você assim, ele vai ficar de coração partido.
Clarice finalmente ergueu o rosto e olhou para Adelina. Os seus olhos estavam vermelhos como os de um coelho.
— Tudo bem.
O quarto do hospital era uma suíte com um banheiro privativo.
Ela tirou as roupas imundas e rasgadas, e ficou parada debaixo do chuveiro, deixando que a água morna escorresse pelo seu corpo.
Naquele exato momento, a corda invisível que a mantinha sob controle finalmente se partiu.
Abraçando o próprio corpo, ela escorregou lentamente pela parede enquanto uma onda incontrolável de medo a consumia.

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