— Há três anos, no orfanato da zona sul — disse Fátima, após ponderar por um longo tempo.
— Há três anos? Por que você só me conta isso agora?
Clarice mal conseguia acreditar; naquela época, ela ainda nem havia se casado com Orlando.
Fátima abriu a boca, sem saber como explicar que, no passado, Clarice era completamente obcecada por Orlando.
Ela havia valorizado o status da família de Clarice e, por isso, a cercava de mimos e atenções.
Clarice era uma garota ingênua e bondosa. Talvez tocada por essa falsa gentileza, a Clarice daquela época estava disposta a lhe contar tudo.
Foi assim que Fátima descobriu a saudade que Clarice sentia da mãe e a sua obsessão em reencontrar o irmão perdido.
— Foi tudo para me chantagear em um dia como hoje, não é? — Clarice segurava o medalhão de ouro, falando com uma frieza cortante.
Fátima voltou a si e quis se explicar, mas essa era a pura verdade, então não havia muito o que argumentar.
— Pense o que quiser, mas fui eu quem lhe deu a pista. Posso lhe contar tudo o que sei, portanto, você me deve um favor.
— O que você quer? — perguntou Clarice.
— Esqueça o que aconteceu hoje. Quanto às próximas pistas, podemos negociar as condições depois.
Clarice trincou os dentes, apertando o medalhão de ouro com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
— É ridículo achar que eu deixaria tudo para trás por causa de uma pista tão vaga — Clarice deu uma risada fria.
— Clarice, de qualquer forma, durante os cinco anos em que você esteve com Orlando, eu fui sincera com você em algum momento — argumentou Fátima.
— Posso até deixar isso passar, mas quero ir ao cartório amanhã mesmo para assinar o divórcio. Sem discussão — Clarice lançou um olhar duro para Fátima, que já parecia nervosa, e falou pausadamente.
— Está bem, eu concordo — Fátima apertou a própria bolsa com força e lançou um olhar profundo para Clarice.
Clarice foi a primeira a deixar o salão, e Erasmo a acompanhou logo em seguida.
Adelina até tentou ir junto, mas foi interceptada no meio do caminho e levada por Leandro Neves.
Orlando e Melissa pararam um de cada lado de Fátima.
— Mãe, como você conseguiu convencer a Clarice? — perguntou Orlando.
— Um leilão beneficente tão importante, e você conseguiu transformar nisso tudo — Fátima lançou-lhe um olhar de soslaio.
De repente, como se tivesse se lembrado de algo, correu para fora, apressando-se em pegar o celular enquanto corria.
Orlando franziu a testa, mas não deu muita importância. Ele ainda precisava lidar com a bagunça que havia ficado.
Apenas a ideia de ter que se divorciar no dia seguinte o deixava dominado por uma irritação inexplicável.
O carro seguia pela avenida, e Clarice permanecia em silêncio absoluto. Sua mente estava um verdadeiro caos.
Ela estava genuinamente feliz por ter conseguido uma pista sobre o seu irmão, mas o fato de a pista ter vindo de Fátima era perturbador.
Durante todos esses anos, Fátima a manipulou, e era bem provável que qualquer rastro concreto de seu irmão já tivesse sido apagado por ela.
Enquanto estava imersa em seus pensamentos, ouviu-se um estrondo violento, e seu corpo foi arremessado para a frente devido à inércia.
O carro deles tinha levado uma batida na traseira.
No início, ela pensou que fosse um acidente, mas o veículo de trás continuou a forçar a batida, acelerando ainda mais.
O carro de Clarice estava sendo empurrado com violência pela estrada.

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