Clarice sorriu com escárnio. Orlando não era aquele que mais se importava com a reputação? Não era ele quem se gabava dizendo que Melissa não sobreviveria sem ele?
Hoje ela veria se, com os fatos bem diante de seus olhos, Orlando ainda escolheria Melissa de forma inabalável.
Ela ia acabar com a imagem de Orlando diante de todo mundo.
A imagem de "marido perfeito" dele seria completamente destruída.
Ao ver o homem de preto seguir para os bastidores, o rosto de Orlando ia ficando cada vez mais pálido.
Mas ele não podia impedir, só restava a esperança de que o que Clarice havia entregado não fosse tão letal.
Todos estavam esperando, aguardando o escândalo estrondoso sobre Orlando.
— Esperem um pouco!
Fátima chegou apressada. Embora por fora parecesse elegante e distinta, seus passos um pouco desajeitados deixavam evidente a ansiedade em seu coração.
Orlando não esperava que sua mãe aparecesse, e soltou um suspiro de alívio.
— Mãe, o que a senhora faz aqui?
Fátima lançou-lhe um olhar furioso, e logo em seguida fuzilou Melissa com os olhos.
— Eu já soube de tudo. Como família da Clarice, como vocês puderam deixar estranhos humilharem ela desse jeito?
— Especialmente você, como marido dela, não a defendeu imediatamente! Isso é negligência da sua parte.
— Na Cidade H, a Família Carneiro não precisa agir de acordo com a vontade dos outros.
Orlando admitiu:
— Mãe, eu sei que errei. Vou pedir desculpas à Clarice.
Melissa, por sua vez, não ousava abrir a boca.
Clarice a observava friamente, rindo internamente. Bem típico da Fátima!
Depois de repreendê-los, Fátima voltou-se para Clarice com um rosto amoroso e materno.
— Clarice, será que podemos esperar um instante antes de exibir isso? Quero falar algumas palavras a sós com você.
Logo de cara, Fátima segurou a mão dela. Clarice não queria nem lhe dar atenção.
Mas, no passado, Fátima a tratara de forma absurdamente bem, algo que todo o círculo da alta sociedade da Cidade H sabia.
Além do discursinho que ela acabara de fazer.
O lado nojento de Fátima ainda não tinha sido exposto em público. Se Clarice a tratasse mal agora, sua posição favorável se enfraqueceria muito.
E ainda corria o risco de Fátima virar o jogo contra ela.
A voz de Clarice suavizou um pouco.
— Depois que assistirmos, podemos conversar.
— Não, você com certeza vai se interessar por isso. Tem a ver com o último desejo da sua mãe.
Ao ver o pingente em forma de cadeado, Clarice o tomou das mãos dela. Ao virá-lo, viu claramente o nome de seu irmão gravado nas costas.
Patrick Adriel.
Os olhos de Clarice ficaram vermelhos em um instante. Havia uma diferença de cinco anos entre ela e o irmão, que desapareceu quando tinha oito anos.
Na verdade, a lembrança que tinha dele era vaga. Foi a mãe quem sempre falava sobre ele, contando o quão excelente ele era e o quanto a amava.
A mãe sempre dizia que sentia muito por ele e ainda mais por Clarice, por ela ter perdido o irmão que tanto a amava.
Mas Clarice sabia que cada vez que a mãe contava a história, seu coração se partia de novo.
Ela sentia pena do irmão, e ainda mais da mãe. Por isso, quando tinha seis anos, disse que queria um irmão.
Um irmão que a amasse e protegesse a mãe.
A mãe concordou.
Foi no verão daquele ano que Erasmo chegou à casa deles.
Eles nunca deixaram de procurá-lo, e ela sempre se lembraria das palavras da mãe, segurando sua mão antes de partir.
[Clarice, encontre o seu irmão. Ajude a mamãe a encontrá-lo.]
Clarice apertou o pingente dourado em forma de cadeado com força na mão, levantou a cabeça e piscou várias vezes, tentando conter as lágrimas.
— Quando você encontrou isso? E onde?

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