Melissa e o marginal estavam se puxando, aparentemente no meio de uma discussão.
Clarice deu a volta por trás dos dois e se escondeu em um canto para bisbilhotar.
— Melissa, você ferrou com a minha vida e ainda acabou com o meu filho.
— Da última vez, você disse que ia me arranjar uma mulher para eu me divertir, mas acabou me mandando para a delegacia.
— Brincando comigo desse jeito, você está querendo morrer?
O marginal agarrou Melissa pelo pescoço, com um olhar de quem queria estrangulá-la ali mesmo.
Clarice discretamente pegou o celular para gravar, assistindo a tudo com muito interesse.
Melissa batia na mão do homem, com o rosto vermelho. — Você... solte primeiro, me deixe explicar.
— É bom que você me convença, senão eu acabo com você mais cedo ou mais tarde.
O marginal a soltou, e Melissa levou a mão ao pescoço, tossindo sem parar.
— Lembra do que aconteceu na boate da última vez? Tudo aquilo foi obra daquela mulher.
— O nome dela é Clarice, a esposa do Orlando. Ela tem inveja de mim e vive tentando me derrubar, e dessa vez não foi diferente.
— O amor virou ódio. Ela fez com que eu perdesse o nosso filho e, por um acaso do destino, fez com que nós nos envolvêssemos.
— Ela só queria arruinar a minha reputação e a do Orlando. Naquele dia, ela mirou em você, e foi por isso que você passou por tudo aquilo.
Vendo a aparente sinceridade de Melissa, derramando lágrimas como se não custassem nada, o marginal acreditou em tudo o que ela disse, sem um pingo de suspeita.
— Vadia desgraçada, eu vou acabar com ela.
Melissa enxugou as lágrimas, encostando-se no ombro do homem. — Nós perdemos o nosso filho. Eu estou mais triste do que qualquer um, e quero acabar com ela mais do que ninguém.
— Mas eu não tenho poder para isso. Só me resta assistir à Clarice brilhar, impotente.
— Como hoje, por exemplo. Ela pode entrar aqui de cabeça erguida, enquanto eu tive que implorar para o Orlando me trazer.
— Até para trabalhar eu preciso implorar aos outros. Mas eu não me importo de passar por isso. Pelo nosso futuro, estou disposta a fazer qualquer coisa.
Dizendo isso, tirou um cartão da bolsa. — Aqui tem quinhentos mil reais. São todas as minhas economias. Use isso para as emergências.
Ao ver o dinheiro, o marginal perdoou Melissa completamente. Ele a puxou para si, prensando-a contra a parede em um beijo ardente.
— Me envia agora, quero assistir neste momento.
Adelina detestava participar daquele tipo de evento. Ela era o rosto de inúmeras marcas de joias, a ponto de não ter mais espaço em casa para guardar tantas coisas valiosas.
Se aquele idiota do Leandro Neves não a tivesse ameaçado, ela jamais teria vindo.
— Você tem certeza de que quer assistir agora?
Embora não houvesse uma cena de sexo explícito, as carícias dos dois eram extremamente vulgares.
— Claro, para passar o tempo.
Adelina conseguiu o vídeo como queria. O arquivo era um pouco longo e o sinal no local não estava dos melhores.
A transferência foi lenta e o download também.
— Você sabia? Ouvi dizer que tanto o Sr. Alves, do Grupo Financeiro Alves, quanto o Sr. Neves, do Grupo Neves, vieram. Dois grandes galãs! Só de pensar já fico empolgada.
— Num evento importante desses, quem em Cidade H não saberia? Os dois estão sentados lá na primeira fila, cada um de um lado. Eu os vi de longe, são de uma beleza divinal.

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