Erasmo queria que Clarice o acompanhasse, mas ela fez questão de colocar Kátia ao lado dele.
Clarice puxou Kátia e disse a Erasmo: — Erasmo, graças à Família Faria, agora todos sabem que Kátia é a sua noiva.
— Se você não a levar consigo, quem sabe que confusão o pessoal da Família Faria vai aprontar quando perceber.
— Além disso, meu alvo hoje é Orlando. Ele espera realizar este evento com sucesso para recuperar as perdas da empresa, mas eu não vou permitir.
Erasmo, com uma mão no bolso, ergueu o olhar. — Tudo bem, eu vou deixar um lugar para você ao meu lado.
Pelo seu status e posição, o assento de Erasmo ficava na primeira fileira.
Como organizador do evento, Orlando já aguardava no local desde cedo.
Teoricamente, alguém com o status de Orlando não precisaria receber os convidados pessoalmente.
Porém, a situação recente da empresa havia afetado gravemente a sua imagem.
Ao ver Erasmo se aproximar, o rosto de Orlando se iluminou e ele rapidamente foi ao seu encontro.
— Sr. Alves, que honra recebê-lo.
Orlando estendeu a mão, mas Erasmo apenas olhou, sem a menor intenção de retribuir o gesto.
Apenas acenou levemente com a cabeça e entrou direto, acompanhado por Kátia.
A mão estendida de Orlando ficou parada no ar. Sem saber se a recolhia ou a mantinha, restou-lhe apenas dar um sorriso constrangido.
Clarice soltou uma risadinha. Era muito gratificante ver Orlando sendo completamente ignorado depois de tentar ser tão bajulador.
Com esse riso, Orlando também a notou e seus olhos brilharam.
Vestindo um longo e elegante vestido roxo que delineava sua cintura fina, a pele clara de Clarice a deixava com um ar misterioso e sensual.
Orlando se aproximou com ares de cavalheiro. — Clarice, você está linda hoje.
Clarice conteve o riso imediatamente, olhando para Orlando com desconfiança.
Aquilo não estava certo. Como ele podia ser tão educado com a pessoa que o havia envenenado para deixá-lo estéril?
— Obrigada. Por que não estou vendo a Melissa?
Clarice olhou ao redor, mas ainda não viu sinal de Melissa.
Orlando se aproximou novamente e agarrou o braço de Clarice.
— Eu não acredito. Se você não me amasse, por que teria me dopado? Dizem que ninguém odeia desse jeito quando já não sente mais nada.
— Se você me odeia tanto, isso prova que ainda me ama.
— Sendo assim, por que não me dá uma chance?
Clarice ficou chocada, suas convicções completamente abaladas.
Era assim que ele entendia esse papo de que não existe ódio sem amor?
Clarice puxou o braço de volta e deu um sorriso de escárnio. — O leilão já vai começar, e estamos na porta. Se não quiser levar um tapa na cara, é melhor entrar logo!
Clarice entrou na frente e, no momento em que se virou, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.
Ela havia visto Melissa e também aquele marginal.
Em um momento raro de bom humor, ela daria um grande presente a eles naquele dia!

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