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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 122

Clarice sentiu-se atordoada por um instante. Ela estava escolhendo alianças, e, de todas as pessoas, com Erasmo.

Ela já havia sido casada antes. Quando Orlando a pediu em casamento, chegou a sonhar com o momento em que escolheria a aliança ao lado do homem que amava.

Porém, Orlando foi para o exterior, estava sempre atolado de trabalho e a adiou repetidamente. Até o dia do casamento, as alianças não passavam de anéis falsos de dez reais.

Mesmo sendo falsas, ela as usou por um ano. Apenas no dia em que seu coração se partiu definitivamente, ela jogou a aliança fora.

E ali, naquele momento, ela tava realizando esse sonho, mesmo que fosse dentro da história de outra pessoa.

— Sim, Kátia vai adorar. — respondeu Clarice, forçando um sorriso e assentindo com força.

Em seguida, foi a vez de escolher o anel masculino. Erasmo pediu a Clarice que o ajudasse, alegando não ter nenhuma preferência.

Acreditando nele, Clarice selecionou três modelos diferentes para Erasmo escolher.

Sentada em uma cadeira ao lado, a Dona Alves observava os dois jovens discutirem a escolha das alianças com um sorriso radiante no rosto.

De repente, seus olhos marejaram.

Nunca imaginou que a neta de sua melhor amiga e seu próprio neto teriam uma ligação tão especial.

Era bom, muito bom. Talvez fosse mesmo o destino. Quando chegasse a sua hora de partir, ela finalmente poderia dar uma satisfação à amiga e ao marido.

Enquanto Clarice estivesse por perto, a Família Alves não desmoronaria.

...

A noite caiu.

Clarice estava prestes a pegar no sono quando o celular, ao lado de seu travesseiro, tocou.

Ao atender, a voz desesperada de Adelina soou do outro lado da linha.

— Clarice, vem rápido, me socorre!

Assustada, Clarice deu um pulo e saiu da cama num sobressalto.

— Adelina, o que aconteceu?

— Ai, é difícil explicar agora, você vai entender quando chegar aqui. — disse Adelina, cuja aflição era tamanha que mal conseguia formular as frases.

Ela passou o endereço apressadamente e desligou.

Clarice ficou totalmente confusa, mas, pelo choro na voz de Adelina, algo muito grave devia ter acontecido.

Sem tempo para pensar muito, trocou de roupa e saiu às pressas.

Seus passos apressados ecoaram alto pela casa, chamando a atenção de Vânia, que havia descido para beber água.

Vânia até se assustou, pensando que alguém havia invadido a mansão.

Foi só quando Clarice abriu a porta e saiu que Vânia teve coragem de ir verificar.

Clarice? O que ela estava fazendo saindo de carro a uma hora daquelas? E tão apavorada?

Ao olhar o relógio da sala, viu que já era quase uma da manhã. Aonde ela estaria indo?

Com o coração disparado, Clarice já estava acelerando o carro pelas ruas.

Por sorte, não havia muito trânsito na madrugada, o que a permitiu dirigir em alta velocidade.

Enquanto dirigia, tentava ligar sem parar para Adelina, mas ninguém atendia.

O pânico de Clarice só aumentou.

Com a certeza de que algo terrível havia acontecido, ela ligou rapidamente para Erasmo, caso Adelina estivesse mesmo em perigo.

Temendo que sozinha não conseguiria resolver nada, sabia que as coisas seriam mais fáceis com a ajuda de Erasmo.

Para sua surpresa, o telefone de Erasmo também não chamava.

Tentou ligar para Leandro Neves, mas ele também não atendeu.

O suor frio começou a escorrer pela testa de Clarice devido à ansiedade.

— Você está bem? — franziu a testa Clarice, vendo que Adelina parecia intacta.

— O problema não é comigo, é com o Erasmo. — respondeu Adelina, continuando a arrastar Clarice para dentro do salão.

O alívio inicial de Clarice logo se transformou em desespero novamente.

— O que aconteceu com o Erasmo?

— Você vai entender quando vir. — hesitou Adelina um pouco antes de responder.

Adelina a guiou até a mesa onde estavam e apontou para os dois homens aparentemente embriagados.

— Como... como eles ficaram tão bêbados?

A mesa estava coberta de copos vazios.

— Seria bom se estivessem só bêbados. O Erasmo foi dopado, e o Leandro Neves também. Eu consigo cuidar do Leandro Neves, mas e o Erasmo? — suspirou Adelina, desamparada.

— Eu nem posso chamar ninguém para ajudar, o que não falta por aí é gente com más intenções em relação ao Erasmo!

— E o pior de tudo é... ah!

Antes que Adelina pudesse terminar de falar, foi puxada bruscamente para os braços de Leandro Neves. Ele encontrou os lábios dela com precisão e a beijou intensamente.

— Hum... hmmm! — resmungou Adelina, com os olhos arregalados em choque.

Contudo, a força com que Leandro Neves a envolvia era imensa.

Adelina esticou a mão e beliscou com força a região lombar dele.

Maldito, estava se aproveitando da situação para beijá-la.

Os dois pareciam imersos em um beijo profundo, fazendo o rosto de Clarice queimar de vergonha instantaneamente.

— Clarice, o Leandro Neves perdeu o controle. Vou levá-lo embora primeiro, o Erasmo tem mais autocontrole do que ele. — ofegou Adelina, conseguindo se soltar.

— Leve-o para casa. Eu já liguei para o médico da família, o antídoto está lá.

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