— É, vou acompanhar a Dona Alves na consulta de retorno. — disse Clarice, olhando de relance.
Não havia necessidade de mencionar que também iria com Erasmo escolher as alianças de casamento.
Ao ouvir isso, Vânia se animou na mesma hora, deixando o mau humor de lado.
— Clarice, retorno da Dona Alves? Então eu vou também, sempre sou eu que a acompanho nas consultas.
Clarice lançou um olhar severo para Vânia. A velocidade com que ela mudava de atitude era impressionante.
— É verdade, a Dona Alves gosta muito da Vânia, caso contrário... — sorriu Wilson ao acrescentar.
Antes que Wilson pudesse terminar a frase, um bufo frio de Clarice interrompeu os delírios dos dois.
— Ser sem-vergonha é doença, e tem tratamento.
Sem dizer mais nada, ela se virou e saiu pelos portões da mansão.
— Pai, olha para ela! Ela já é casada, a única que pode se unir à Família Alves sou eu. Somos todos da mesma família, por que ela não pensa nos seus? — reclamou Vânia, batendo o pé indignada.
Wilson encarou as costas de Clarice, com um brilho sombrio nos olhos.
Erasmo estava encostado no carro, segurando um cigarro que parecia prestes a acender.
Ao vê-la sair, ele guardou o cigarro e abriu a porta do carro para ela.
— Vamos, a vovó já foi para lá.
Clarice assentiu e entrou no carro. Durante o trajeto, ela perguntou novamente sobre o estado de saúde da avó.
Também perguntou qual era a ligação entre a dona Alves e a Kátia, o que Erasmo explicou brevemente.
Kátia havia trabalhado como cuidadora no hospital e foi ela quem cuidou da Dona Alves quando esteve doente.
A pureza e bondade de Kátia comoveram a Dona Alves, e Kátia acabou concordando em ajudar para salvar a própria mãe.
Quanto a Ezequiel, a Dona Alves o ameaçou com a própria vida, deixando-o sem saída.
A saúde da Dona Alves, no entanto, piorava a cada dia. Ela temia que Kátia sofresse injustiças e que Ezequiel causasse problemas.
Por isso, ela tinha tanta pressa para que os dois assinassem os papéis do casamento.
— Qual é a doença da vovó? É tão grave assim?
— Os órgãos estão apresentando sinais de falência. Os médicos disseram que ela tem, no máximo, um mês de vida.
— Tão rápido? — surpreendeu-se Clarice.
— Sim. — assentiu Erasmo.
Ao chegarem ao hospital, dona Alves estava fazendo os exames de rotina e os viu caminhando lado a lado.
Um sorriso raro surgiu no rosto cansado da Dona Alves.
— Eu não pedi para o Erasmo levar você primeiro para escolher as alianças? O que vieram fazer aqui? — perguntou a Dona Alves.
Clarice olhou para Erasmo, que se adiantou e segurou as alças da cadeira de rodas.
— Vovó, você não disse que queria ir junto? E a Clarice também queria vir ver você.
Erasmo permaneceu em silêncio, o que arrancou mais um suspiro resignado da Dona Alves.
— Desde que eles fiquem no seu devido lugar.
Aquela era a sua maior concessão.
Clarice não os acompanhou de perto, sabendo que avó e neto precisavam de um momento a sós para conversar.
Após o término dos exames, os três seguiram para a joalheria a fim de escolher as alianças.
A loja pertencia ao Grupo Financeiro Alves. Contudo, como Erasmo nunca havia aparecido na mídia, ninguém o reconheceu.
Ao ver três pessoas de aparência tão distinta e elegante, os atendentes foram logo extremamente prestativos.
A Dona Alves segurou a mão de Clarice o tempo todo, fazendo questão de que ela experimentasse todos os lançamentos da loja.
A intenção de Clarice era tirar uma foto para Kátia, para que ela pudesse escolher a sua favorita.
No entanto, ao ligar, Kátia disse apenas que confiava no gosto dela e desligou rapidamente.
A Dona Alves também não lhe deu chance de argumentar, colocando anel após anel em seus dedos.
— As mãos da Clarice são lindas, qualquer anel fica perfeito nela. Erasmo, venha dar uma olhada neste. — elogiou a Dona Alves.
A Dona Alves colocou a mão de Clarice sobre a grande mão de Erasmo, que a segurou com firmeza e acariciou suavemente a superfície do anel.
— Sim, é lindo — disse Erasmo com uma voz profunda e magnética e um leve sorriso nos lábios, enquanto seus belos olhos transbordavam de ternura, roçando também a pele ao redor da joia.
— O que você acha, Clarice? — perguntou ele, erguendo o olhar para a jovem paralisada.

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