Clarice era extremamente parecida com Oceana. Assim que chegaram a um ambiente bem iluminado, os olhos de Wilson não se desviaram do rosto dela em nenhum momento.
Wilson perguntou:
— Clarice, depois de todos esses anos, como você tem passado?
A voz de Wilson tremia levemente. Clarice lançou-lhe um olhar e pôde ver uma ponta de preocupação nos olhos dele.
Ela sabia que, por ser parecida com a mãe, Wilson ainda nutria por ela um ínfimo e insignificante afeto.
Wilson amava muito sua mãe, ela não podia negar isso. No entanto, por mais sincero que fosse esse amor, no fim das contas, não conseguia superar a grande paixão de seu passado, nem o peso da hierarquia imposta pela linhagem familiar e pelo dinheiro.
O amor dele era superficial demais, barato demais.
Clarice manteve uma expressão serena.
— Eu estou muito bem.
Sua resposta foi fria, desprovida de qualquer calor.
A garganta de Wilson apertou. Era ele quem havia falhado com Oceana e, ainda mais, com Clarice.
Portanto, ele aceitou a atitude indiferente de Clarice sem a menor resistência.
Wilson indagou:
— Você pretende ir embora de novo desta vez? Se for ficar, pode morar aqui em casa. Sobre o assunto do Orlando, eu também...
— Não precisa se preocupar com os meus assuntos. Eu não voltei para relembrar o passado com vocês; voltei para pegar de volta o que me pertence.
Clarice o interrompeu de forma ríspida.
Wilson parou por um instante, parecendo não compreender direito o que ela queria dizer.
Não apenas Wilson, mas Vânia e Talita também ficaram sem entender.
Tantos anos haviam se passado, e já não restava mais nada dela naquela mansão há muito tempo.
O que mais ela teria vindo buscar?
Embora não conseguisse decifrar o que era, Clarice era sua filha, e ele não a impediria de levar o que quisesse.
— Claro que pode.
Clarice deu um sorriso gélido.
— Não quer nem saber o que é? Vai concordar assim, tão prontamente?
Wilson afirmou:
— Não importa o que seja, tudo o que for seu, você pode levar.
Com a resposta afirmativa de Wilson, Clarice foi direto ao ponto.
— Lembro-me de que, quando minha mãe estava viva, ela possuía vinte e cinco por cento das ações da empresa. Agora que ela faleceu, é justo que eu e o meu irmão as herdemos. Como ele está desaparecido, as ações devem ser transferidas temporariamente apenas para o meu nome.
Clarice falou com total franqueza; ela queria as ações.
— Se você não consegue segurar essa sua língua afiada, eu não me importo de costurá-la.
Vânia levou a mão ao rosto e a encarou, chocada.
Vânia exclamou:
— Você teve a coragem de me bater!
Talita abraçou o corpo de Vânia, com o coração partido, enquanto Wilson franziu as sobrancelhas.
Vê-la apanhar doeu profundamente nele.
Mas era inegável que Vânia havia errado primeiro, e além do mais, era uma rara ocasião em que Clarice voltava para casa.
Ele não podia repreendê-la.
Wilson advertiu:
— Vânia, não seja insolente. Onde estão os modos de uma moça de boa família? Ele também é seu irmão, como você pode falar assim?
Com os olhos vermelhos e inchados, Vânia bateu o pé.
— Hum, só porque a Clarice voltou, você vai ficar do lado dela!
Furiosa, ela deu meia-volta e correu para o seu quarto.
Wilson teve o impulso de ir atrás dela, mas, contido pela presença de Clarice, não se moveu.

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