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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 109

Mas, por trás de toda aquela beleza e inocência, Clarice enxergava apenas sujeira e crueldade.

Erasmo se aproximou e ofereceu o braço à velha senhora, sem sequer dirigir o olhar para Vânia.

O sorriso no rosto de Vânia ficou ligeiramente rígido, enquanto as suas mãos se fecharam em punhos apertados ao longo do corpo.

Ao observar a cena de soslaio, Clarice não pôde evitar rir friamente em seu íntimo.

Ela tinha todos os motivos para suspeitar que Vânia havia aprendido aqueles truques com Kátia.

Vânia provavelmente acreditava que Erasmo escolhera Kátia para noivar por causa da inocência e ingenuidade dela.

Por achar que ele gostava desse tipo de mulher, Vânia tentava forçar uma imitação que se tornava quase caricata.

— Senhora Elisa, será que o Erasmo não gosta de mim? — perguntou Vânia, caminhando até Elisa e sussurrando em tom tristonho.

— Minha querida, como isso seria possível? Você é uma garota tão boa, não tem como alguém não gostar de você — disse Elisa, segurando as mãos de Vânia rapidamente para confortá-la.

— É apenas o jeito do Erasmo; ele é um pouco frio por natureza, sempre teve esse temperamento.

— Mas o Erasmo trata a minha irmã tão bem. Até a Adelina se dá super bem com ela. Eu tenho tanta inveja — comentou Vânia, erguendo o olhar para Clarice.

Após aquele comentário de Vânia, a atenção de Elisa finalmente voltou-se de verdade para Clarice.

Clarice caminhava ao lado de Adelina, e as duas pareciam estar sussurrando alguma confidência.

Os lábios de ambas curvavam-se em um sorriso leve.

O olhar avaliativo de Elisa era tão intenso e ardente que Clarice, andando um pouco mais à frente, virou a cabeça para trás.

Seus olhos se encontraram e, por uma questão de respeito, Clarice sorriu e acenou brevemente com a cabeça antes de voltar a olhar para a frente.

Elisa, no entanto, não esboçou um único sorriso. Aquela era a filha de Oceana.

Em teoria, Oceana havia adotado Erasmo e proporcionado a ele um bom ambiente para crescer, repleto de amor familiar.

Elisa deveria se sentir grata por isso. Contudo, desde que trouxera Erasmo de volta à família, ele a tratava com total indiferença, sem demonstrar a menor gota do apego ou do afeto que um filho teria por uma mãe.

Ao mesmo tempo, ele dedicava a Oceana todo o seu cuidado. Naquele fatídico dia, Elisa vira Erasmo chorar pela primeira vez com total desespero.

Aquele garoto de coração de gelo derramando lágrimas por alguém.

— Os lugares já foram devidamente organizados. É apenas uma refeição, para que implicar com isso? — interveio Ezequiel, franzindo a testa.

Vânia olhou rapidamente para Erasmo e, notando a sua expressão implacável e severa, decidiu encenar virtude e generosidade diante dele.

— Não tem problema. Afinal, a irmã foi trazida pelo Erasmo e deve se sentar ao lado dele. Eu não me importo de me sentar ali — declarou Vânia.

Vânia expressou-se de forma incrivelmente dócil e educada, com um sorriso encantador iluminando o seu rosto.

O seu corpo, contudo, não se moveu um centímetro. Sempre que usava aquele discurso antes, as pessoas imediatamente insistiam para que ela não trocasse de lugar.

Afinal de contas, todo mundo zelava pelas aparências.

No entanto, para o seu assombro, o que ela ouviu foram duas vozes diferentes exigindo a mudança.

— Então agradeço, irmãzinha. Por favor, sinta-se à vontade! — agradeceu Clarice.

— Já que disse que ia trocar de lugar, o que está esperando para sair daí? — disparou Erasmo.

O sorriso doce no rosto de Vânia endureceu de forma irreversível.

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