Quando se tratava da Família Adriel, Clarice não conseguia manter a calma e a compostura.
— Você é... Oceana? Como é possível que você não tenha envelhecido nada? — perguntou Dona Alves.
Dona Alves segurou firmemente a mão de Clarice e a examinou de cima a baixo, com os olhos inesperadamente cheios de lágrimas.
Aquela reação repentina deixou todos perplexos, inclusive a própria Clarice.
O que estava acontecendo? Dona Alves conhecia a sua mãe?
— Avó, esta é a filha da Tia Oceana. O nome dela é Clarice — disse Erasmo, levantando-se e caminhando até o lado de Clarice, com um tom bem mais suave ao se dirigir à senhora.
— Filha da Oceana? Parecida, tão parecida... E onde está a sua mãe? — murmurou Dona Alves.
Sem entender muito bem a situação, Clarice olhou para Erasmo, que assentiu levemente com a cabeça.
— Dona Alves, minha mãe já faleceu — revelou Clarice, com sinceridade.
Embora não soubesse que tipo de ligação havia entre Dona Alves e sua mãe, os olhos da idosa eram límpidos e calorosos; claramente, não havia malícia ali.
— O quê? Como... como isso aconteceu? — balbuciou Dona Alves, cambaleando ligeiramente para trás.
Ao dizer isso, a velha senhora começou a chorar de verdade.
Clarice ficou um pouco perdida. Por que ela estava chorando daquele jeito?
— Dona Alves, por favor, não fique assim, a senhora... — tentou acalmá-la Clarice.
— Avó, não se exalte. Cuidado com a sua saúde, a senhora sabe que o seu coração não está bom — interrompeu Vânia.
Vânia correu para apoiar a idosa, empurrando Clarice para o lado — de propósito ou não.
Vendo a instabilidade emocional da velha senhora, Otília levantou-se imediatamente e ordenou aos criados que chamassem o médico da família.
Embora Ezequiel fosse implacável e insensível em seus negócios, ele nutria um profundo respeito e carinho pela mãe.
Em instantes, toda a família rodeou a velha senhora, deixando Clarice, Erasmo e Adelina espremidos do lado de fora da roda.
Sem contar Elisa, que observava a cena de longe com um olhar suplicante.
Cerca de dez minutos depois, a idosa conseguiu se acalmar.
— Mãe, não se agite tanto. A senhora precisa ter cuidado com o seu coração — advertiu Ezequiel.
Embora estivesse com a idade avançada, a mente de Dona Alves continuava bastante perspicaz.
— Está bem, não falaremos mais sobre isso agora. Mas depois do jantar, você poderia fazer um pouco de companhia a esta velha senhora? — sugeriu ela, dando um leve tapinha na mão de Clarice.
Clarice assentiu, não conseguindo recusar um pedido tão afetuoso da idosa.
— Já que estão todos aqui, vamos servir o jantar! — anunciou Dona Alves, voltando o olhar para Ezequiel.
Sob a ordem da matriarca, todos começaram a se dirigir à sala de jantar.
Aquele era um banquete em família, e a casa estava cheia. Dona Alves lançou um olhar profundo para o neto mais velho, que não voltava para casa havia cinco anos.
Ele estava ali agora, mas tudo parecia carregado de distanciamento e estranheza.
— Venha me ajudar a caminhar! — suspirou ela, desamparada, enquanto acenava para Erasmo.
— Erasmo, você passou cinco anos longe de casa, e a vovó não parava de falar de você! — disse Vânia, soltando imediatamente o braço da idosa e sorrindo para ele.
O sorriso doce, o brilho vivo nos olhos e o tom de voz adorável faziam com que ela parecesse completamente pura e inofensiva.

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