As palavras duras de Laís caíram como um balde de água fria sobre Felipe. Em segundos, ele ficou paralisado, sem saber o que responder.
Felipe olhava perplexo para ela, seu peito arfando intensamente. Por mais indignado que estivesse, tinha de reconhecer que as palavras de Laís eram verdades irrefutáveis; momentaneamente incapaz de formular qualquer contra-argumento.
Jorge, vendo Laís exaltar-se cada vez mais, tomou-lhe a mão instintivamente e a apertou de leve, sinalizando para que se acalmasse.
Com um tom ameno, interveio:
— As palavras da Laís, embora muito francas, não têm inverdades. E por mais cruas que sejam, estão cheias de razão.
— Felipe, se você for capaz de assimilá-las e iniciar uma mudança na família Vasconcelos a partir de você mesmo, talvez ainda haja salvação.
— Mas, se você se recusar a escutar, persistindo no mesmo comportamento obstinado de sempre, acabará completamente sozinho e traído. E, no fim, o Grupo Vasconcelos que você tanto preza também cairá em ruínas.
— Já dissemos tudo o que tínhamos a dizer. O resto, ouvir ou ignorar, cabe a você julgar.
Após finalizar, Jorge fez um gesto para que Laís o acompanhasse na saída.
Tomada pela ira, Laís já havia perdido completamente o apetite; ela virou as costas sem qualquer hesitação e saiu caminhando.
Os dois retiraram-se rapidamente, ombro a ombro, deixando para Felipe uma mesa inteira de comida intocada.
Felipe continuou sentado ali, paralisado. Pensou silenciosamente durante um longo tempo antes de, devagar, recobrar o sentido das coisas.
Passado não sabe-se quanto tempo, seu celular voltou a tocar.
Ao puxar o aparelho, constatou que era Patrícia Lacerda. Ele atendeu a ligação:
— Mãe.
A voz em prantos e gritos esganiçados de Patrícia Lacerda veio do outro lado da linha:


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