— Laís, você está querendo...
Antes que a palavra "eu" pudesse sair de sua boca, a voz apressada de Laís soou do outro lado da linha:
— Felipe, você tem o contato do supervisor do projeto de vocês lá na vila turística?
Todos os sentimentos que estavam se agitando no peito de Felipe ficaram presos na sua garganta de repente.
Ele apertou o telefone e hesitou por vários segundos antes de conseguir se recompor:
— Não tenho, mas posso conseguir. O que houve?
Diante da urgência, Laís não se importou com formalidades e disse imediatamente:
— A avó do Jorge, que é minha antiga professora do ensino médio, Débora Medeiros, está lá no local. Fiquei sabendo que ela teve um conflito feio com a equipe de construção de vocês por causa da obra.
— Ela é uma senhora de idade e está doente. Estamos muito preocupados com a segurança dela.
Após desabafar de uma vez, Laís fez uma pausa de dois segundos e continuou: — Por favor, entre em contato com o supervisor do projeto de vocês imediatamente. Aconteça o que acontecer, peçam para esperarem chegarmos lá. Por favor, não ousem encostar um dedo na Professora Débora, caso contrário, não vamos deixar isso barato!
Laís falou com firmeza e retidão, mas um longo silêncio pairou do outro lado da linha.
Felipe segurava o celular, o coração uma montanha-russa de emoções. Ele mal havia absorvido a maior parte do que Laís dissera.
As únicas palavras que ouviu com clareza foram "Jorge".
Então, Laís havia lhe ligado no meio da noite não por arrependimento, nem por saudade do que viveram, mas sim por preocupação com a segurança de um parente direto de Jorge?
Ela realmente não sentia mais a menor saudade do passado deles?
Como ela e Jorge estariam passando a noite?
As pontas dos dedos de Felipe apertavam o celular com tanta força que as juntas ficaram brancas, enquanto a amargura e o ressentimento fervilhavam em seu íntimo.
Ele ainda nutria uma fraca e ilusória esperança de que, ao ligar, Laís estivesse demonstrando um pingo de afeto pelo passado, mas a realidade lhe jogou um balde de água fria.
Felipe permaneceu em silêncio por um longo tempo e, finalmente, respondeu num tom indiferente:
— Laís, me desculpe, mas não posso te ajudar.
Ele ponderou em silêncio por alguns instantes antes de, enfim, discar o número de Zoraida.
Inesperadamente, assim que a ligação foi atendida, antes mesmo que pudesse dizer um "alô", a voz furiosa e descontrolada de Zoraida ecoou pelo alto-falante:
— Sua velha intrometida com sobrenome Medeiros, eu te aviso, não tente se aproveitar da sua idade!
— Você vai sair ou não vai? Se não sair agora e continuar atrasando o cronograma da nossa obra, vou mandar lavarem o chão com as mangueiras de água!
— Se a água bater em você ou te machucar, não vamos assumir nenhuma responsabilidade!
— Além disso, nós temos todas as autorizações necessárias, e a obra está totalmente dentro da lei! Você não faz parte de nenhuma organização oficial, não tem o direito de interferir no nosso trabalho!
— Atenção! Liguem a água! Lavem o chão!
Os gritos autoritários de Zoraida do outro lado da linha fizeram as têmporas de Felipe latejarem.
Incapaz de continuar sentado, ele se levantou, agarrou o casaco e desceu as escadas correndo e tropeçando nos próprios pés.

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