Laís nunca havia sentido um beijo tão impetuoso e avassalador.
Sua respiração já havia perdido o ritmo há muito tempo, batendo quente contra o rosto dele.
Seu corpo ia ficando cada vez mais mole; sem forças para se manter em pé, ela agarrou instintivamente a camisa do peito dele com muita força.
Todo o seu corpo tremia suavemente, sem conseguir se firmar.
A respiração tornava-se cada vez mais ofegante, e o ar em seus pulmões parecia ser expulso centímetro por centímetro.
Até que ela quase sufocou, sem conseguir respirar.
Foi então que Jorge abriu os olhos abruptamente e a soltou.
A camisa branca em seu corpo estava encharcada de suor, colada ao peito e às costas, pegajosa.
A gravata havia se soltado não se sabe quando, e já estava caída de lado.
Ele olhava atônito para Laís à sua frente, que parecia ter acabado de se afogar e respirava pesadamente.
Seu olhar se encheu instantaneamente de culpa... Ele havia beijado com muita força há pouco.
— Laís, me desculpe, eu...
Ao ver os lábios macios de Laís que já estavam um pouco inchados e vermelhos, Jorge sentiu um constrangimento momentâneo.
Ele tentou se desculpar instintivamente, mas antes que terminasse a frase, foi interrompido pelo olhar brilhante de Laís:
— Por que pedir desculpas? Entre marido e mulher, o beijo não é uma coisa muito normal?
Laís temia que Jorge não conseguisse superar novamente aquela barreira em seu coração, por isso, o orientou de propósito.
No entanto, ao dizerem a palavra "marido e mulher" pela primeira vez, uma emoção sutil atravessou o coração de ambos em um instante.
Era realmente estranho.
Os dois já estavam no segundo casamento e tinham experiência.
Mas aqueles breves minutos de agora foram tão loucos quanto Adão e Eva após provarem o fruto proibido pela primeira vez.
Laís não ousava relembrar; só de pensar, seu rosto corava completamente, como uma maçã reluzente.
Embora aquele beijo tivesse sido tão repentino, pelo menos uma coisa Laís conseguiu confirmar em grande parte agora a pouco.
A família do tio mais velho de Jorge, Douglas Andrade, e a família do seu tio mais novo, Damião Andrade, estavam presentes.
E não era só isso; os avós de Jorge também haviam vindo, ambos vestidos especialmente com um terno tradicional festivo.
Ao ver uma cena tão grandiosa, o coração de Laís começou a bater descompassado incontrolavelmente.
Ela virou a cabeça para olhar para Jorge, e bem nesse momento, ele lançou-lhe um olhar gentil.
Sua mão continuava segurando firmemente a de Laís; ele se aproximou do ouvido dela e sussurrou:
— Não se sinta pressionada. Na minha família, isso é apenas a reunião familiar mais normal que existe, não foi organizada especialmente para conhecer você.
Ao saber que não se tratava de um encontro oficial, Laís soltou um suspiro de alívio:
— Que bom, eu nem sabia que haveria tantos familiares mais velhos, não preparei nada.
Ela estava um pouco apreensiva:
— O que eu faço? Será que eles vão achar que sou mal-educada?
— Claro que não — Jorge curvou os lábios e deu uma risada leve. — Fique tranquila. Eu sabia que todos eles deveriam vir hoje, então já preparei tudo antecipadamente de acordo com as preferências deles, dizendo que foi você quem comprou.

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