Uma celebração daquela magnitude só havia ocorrido naquela casa na época em que Bento Xavier ainda estava presente.
Num piscar de olhos, tantos anos haviam se passado.
Ao ver Laís e Jorge sentados juntos, parecendo o casal perfeito em meio a todos, Lídia Lima sentiu-se aliviada, mas também foi invadida por uma onda de nostalgia.
Ela não queria que aquela alegria durasse apenas um breve momento.
Por isso, com grande insistência, convidou todos a passarem a noite na Vila Magnólia.
Havia apenas dois quartos de hóspedes. Lídia providenciou um para Daniel Andrade e Clara Campos, e o outro para Gustavo Matos e Jorge.
No entanto, assim que Gustavo soube que o quarto tinha apenas uma cama de casal, ele se recusou terminantemente, dizendo que de jeito nenhum dormiria na mesma cama que Jorge.
Sem alternativa, Jorge se viu na situação constrangedora de perguntar a Laís se poderia passar a noite no quarto dela.
Laís já havia superado suas barreiras internas, e seu coração estava subitamente mais leve e decidido.
Como uma mulher moderna, e com o casamento no cartório já marcado, não havia mal nenhum em dormirem juntos.
Mesmo que aquilo fosse apenas um acordo entre os dois, e mesmo que em três anos eles percebessem que não dariam certo e tivessem que se separar...
Mas Laís sentia que já estava psicologicamente preparada. Fosse o que o futuro lhe reservasse, bom ou ruim, ela aceitaria de bom grado.
Ela assentiu com naturalidade, permitindo que Jorge entrasse em seu quarto na Vila Magnólia.
Desde que se conheceram, aquela seria a primeira vez que realmente compartilhariam o mesmo ambiente de forma íntima.
Era também a primeira vez que Jorge recebia a permissão de Laís para entrar em seu refúgio estritamente pessoal.
A luz do corredor era fraca e acolhedora. Com o clique suave da porta se fechando, o barulho do exterior foi completamente bloqueado.
Seu coração começou a bater acelerado, fugindo de seu controle.
Aquele quarto era seu refúgio mais íntimo, um lugar em que nem mesmo Felipe Vasconcelos havia pisado.
E agora, Jorge estava em seu banheiro, usando seu sabonete líquido, sua toalha...
A sensação de ter seu espaço privado completamente invadido fez com que a respiração de Laís falhasse por um instante.
Ela abaixou ligeiramente a cabeça, fitando os próprios dedos cruzados sobre os joelhos, enquanto sua mente trazia, sem que ela pudesse evitar, a imagem das costas largas e dos ombros fortes dele.
Enquanto sua imaginação viajava solta, a porta do banheiro se abriu.
Acompanhado por uma nuvem de vapor, Jorge saiu, vestindo apenas uma toalha rosa enrolada na cintura.

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