Os olhos de Sofia já estavam vermelhos de tanta inveja, seus punhos estavam cerrados com força e seu olhar quase cuspia fogo.
Sempre que lembrava da imagem feliz de Laís e Jorge anunciando o casamento, uma raiva amarga lhe subia à garganta, fazendo-a ranger os dentes de fúria.
Afinal, ela esteve com Jorge por anos, e durante todo esse tempo, nunca vira um sorriso tão puro e radiante iluminar o rosto dele como acabara de ver.
Era uma felicidade que transbordava, prestes a derramar dos olhos de Jorge.
Tremendo da cabeça aos pés, tomada pela cólera, a voz de Sofia oscilou ao falar:
— Felipe, você vai engolir essa humilhação calado?
O corpo de Felipe parecia envolto numa nuvem espessa e escura, e suas palavras saíram espremidas pelos dentes trincados:
— E o que eu posso fazer? O que está feito, está feito.
Ele lutava internamente para forçar a si mesmo a aceitar aquilo. No fim das contas, o casamento com Laís já havia desmoronado.
Laís tinha o pleno direito de escolher quem quisesse.
Mas o simples pensamento de que sua Aline passaria a chamar outro homem de pai, enquanto ele seria relegado a mero espectador... aquilo estilhaçava qualquer tentativa de manter a calma.
A cabeça de Felipe latejava incessantemente, e suas têmporas latejavam no mesmo compasso angustiante.
Incapaz de sustentar o peso dos repetidos golpes que recebera, ele puxou uma cadeira e desabou sobre ela, buscando algum espaço para organizar a mente caótica.
Observando o estado dele, Zoraida Vargas não conseguiu evitar um leve repuxar nos lábios. Ela bateu de leve no ombro de Felipe:
— Você pode usar o mesmo veneno contra eles, Felipe.
Ele ergueu o olhar para encará-la: — O que quer dizer com isso?
Afinal, como a única herdeira do Grupo Vargas e filha da família mais rica de Suzano, era mais que natural que ela exigisse uma cerimônia com a maior pompa e grandiosidade possíveis.
— Se não quer casar, o problema é seu. Eu não tenho tempo para pensar em casamentos agora, desculpe.
Ela estava tão certa de que tinha a resposta dele nas mãos, mas não contava com o estado terminal de frustração e estresse em que Felipe se encontrava.
Com apenas uma frase, ele extirpou de vez todas as ambições dela e, de rosto cerrado, virou as costas e se retirou velozmente do salão.
Zoraida ficou ali, paralisada, sentindo como se um banho de água congelante tivesse lhe atingido. Um calafrio gélido tomou conta de cada célula do seu corpo.
Foi justamente nesse instante que Sofia, com requintes de crueldade, soltou uma risada estridente:
— Zoraida, com todo o respeito, mas você não tem o menor senso de oportunidade.
— O Felipe já está uma pilha de nervos, a família inteira despencando ladeira abaixo e você achou que ele iria se curvar aos seus pés pedindo sua mão em casamento justo agora? Acorda pra realidade, minha filha!

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