Ele lançou um olhar gélido a Felipe, e sua voz soou firme e inquestionável:
— Impossível. A sua família já teve oportunidades demais. Esta foi a última.
— Felipe, não force mais a barra com a Laís. Nesses últimos dias, ela se pegou agradecendo inúmeras vezes por não ter morrido de verdade. Porque, se isso acontecesse, ela não consegue nem imaginar o inferno que a mãe dela e a Aline estariam vivendo agora.
Assim que Jorge terminou de falar, a expressão de Felipe escureceu drasticamente, e ele retrucou, tomado pela ira:
— Jorge, isso é um assunto entre mim e a Laís. Você não tem o direito de se meter.
Ao ouvir isso, Jorge não se deixou levar pela raiva. Em vez disso, voltou seu olhar sereno para Laís, os olhos brilhando com uma confiança inabalável:
— Laís, então diga a ele. Eu tenho ou não tenho o direito de me meter?
Laís olhou para Felipe com indiferença, hesitando por alguns segundos antes de responder, imersa em silêncio.
Achando que Laís sequer se daria ao trabalho de responder, Felipe não resistiu e soltou um grunhido de desdém:
— O silêncio dela já diz tudo...
— Eu não estou em silêncio — Laís interrompeu sem rodeios. — Eu só estava pensando em qual seria a forma mais formal de anunciar a você a grande novidade sobre mim e o Jorge.
Felipe paralisou, o corpo inteiro retesando. Ele a encarou, os olhos arregalados pela incredulidade:
— Que... Que novidade?
Naquele momento, o olhar de Laís encontrou o de Jorge. Quando seus olhos se cruzaram, uma cumplicidade profunda e mútua brilhou entre eles.
Em seguida, Laís e Jorge voltaram a encarar Felipe juntos. Quase em uníssono, com vozes carregadas de determinação, dispararam:
— Nós vamos nos casar em breve.
Aquelas poucas palavras caíram sobre Felipe com o peso de uma bomba, trazendo um choque tão letal e devastador quanto o de vê-los entrar vivos naquele salão momentos antes.
As pupilas de Felipe encolheram violentamente, e seu corpo rígido recuou um passo, num instinto automático de defesa.
Ela ergueu levemente o queixo, sustentando com serenidade o olhar de Felipe, que agora ostentava olhos injetados de sangue:
— A sua devoção cega e o seu perdão infinito para com a sua família estão enraizados nos seus ossos. Não importa o tamanho do erro delas, você sempre encontra uma desculpa. Nós ficamos juntos por seis anos. Alguma vez, em todo esse tempo, você me deu esse tipo de apoio incondicional?
— Nunca.
Laís respondeu à própria pergunta, um sorriso de pura libertação curvando seus lábios enquanto virava o rosto para o homem ao seu lado.
— Mas essa segurança, o Jorge me deu.
— Mesmo que, desde o princípio, eu nunca tenha dado o primeiro passo, ele continuou se aproximando silenciosamente, respeitando os meus limites, cuidando de mim.
— Com ele, eu não preciso pisar em ovos. Não preciso me rebaixar, nem viver sempre em alerta contra os golpes pelas costas de quem mais deveria me proteger...
Laís fez uma pausa. Sua voz não se alterou, mas carregava o peso de uma âncora afundando no oceano:
— É por isso que escolhi ficar com ele. Não foi um impulso, e muito menos uma vingança contra você. Foi porque eu finalmente enxerguei que tipo de pessoa realmente merece compartilhar o resto da minha vida.

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