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A Segunda Vida da Senhora Laís romance Capítulo 855

A imensa multidão de recém-chegados adentrou o saguão como uma avalanche avassaladora, rasgando instantaneamente o manto asfixiante que sufocava a tensão.

Conduzindo as fileiras imponentes e de porte retilíneo inabalável, o rosto de Daniel Andrade revelava matizes lívidos; os seus olhos rasgados, predatórios como os de uma águia furiosa, travavam num duelo silencioso e mortífero com a figura minúscula e intimidada de Patrícia, sugerindo que num milésimo de segundo seria capaz de trucidá-la.

No seu flanco, o ímpeto colérico de Clara Campos era incontrolável; exibindo os olhos esgazeados e rubros pela indignação latente, desembaraçou-se brutalmente do braço de Daniel para avançar implacável com os seus saltos contundentes contra o território demarcado da oponente.

— Patrícia Lacerda, até que ponto descerá esse seu espetáculo imoral e sem nenhum escrúpulo?!

Projetando o dedo na cara atordoada de Patrícia, Clara reverberou o timbre inconfundível:

— As cinzas de Laís mal esfriaram, e você com a desfaçatez de vestir-se com esse horrendo vestido verde da discórdia! E ainda tem a coragem de vir vomitar suas ordens impertinentes diretamente na face da própria mãe dela?

— O que há com você? Decidiu então cometer o ultraje de pilhar a herança deixada por Laís no dia de sua despedida?

Frente à escalada estrondosa e avassaladora da situação imposta, a matriarca sentiu-se atropelada e confusa por breves instantes.

Todavia, recordando que os fios fundamentais do arranjo fúnebre partiam do cerne manipulável das intenções do próprio filho, aprumou incontinente a coluna ereta.

Retomando sua couraça soberba e escarnecedora e cruzando as mãos orgulhosamente, armou a postura:

— Quem você pensa que é, Clara Campos, para se achar com plenos direitos de uivar afrontas para mim deste jeito?! Isto, minha senhora, se trata única e exclusivamente das entranhas dos assuntos dos Vasconcelos. Intrusos ignorantes não encontram brecha aqui para tagarelar os seus lamentos!

Mesmo percebendo a desvantagem perante a massa opressora dos rivais recém-chegados, sentou-se arrogantemente sobre a cadeira que trouxera, cravando-a em destaque e transbordando risos macabros de escárnio.

— Uma vez que quem arquitetou e está gerindo os pilares fúnebres de hoje é estritamente a família Vasconcelos, exijo aqui o irrefutável e solene andamento calcado em cada mandamento sagrado pelas diretrizes inegociáveis dos próprios Vasconcelos!

Com a sobrancelha em puro arrepio espasmódico e incredulidade indomável perante tal audácia, Clara devolveu:

— Permita-nos ouvir as barbaridades que regem, porventura, o manual e as diretrizes do que você ousa invocar como normas da sua linhagem, senhora!

De repente, ao ouvir os absurdos proclamados aos quatro ventos por Patrícia, seu rosto empalideceu num piscar de olhos.

Ele virou a cabeça abruptamente, fixou o olhar incrédulo nela e sua voz estremeceu:

— Mãe, que bobagens você está dizendo?! Você tem noção do momento e do lugar em que estamos? Por que está falando isso agora?

Felipe avançou e agarrou o braço de Patrícia, mas, para a sua surpresa, ela permaneceu inflexível, assumindo uma falsa pose de retidão e justiça.

Melissa Vasconcelos adiantou-se, empurrou Felipe para longe e o repreendeu com um tom cheio de arrogância:

— Felipe, não tente impedir a mamãe! Você é que está sendo um ingênuo. Ela só está fazendo isso para o seu próprio bem!

— Pense bem! Quando ela estava viva, quantos bens ela arrancou das suas mãos?! E agora que ela morreu, você acha justo deixarmos toda essa fortuna de bandeja para a família dela?

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