Era Zoraida Vargas.
Laís atendeu de imediato:
— Alô?
Do outro lado da linha, uma voz feminina estridente e arrogante ecoou:
— Laís Monteiro, onde você está?
— Você não queria negociar uma parceria com a família Vargas? Eu já avisei o meu pai. Nós dois estamos te esperando no Restaurante Ecos da Chuva em Suzano. Venha.
O tom de Zoraida permanecia exatamente o mesmo de sempre: superior, autoritário e inquestionável.
Sem nem mesmo aguardar a resposta de Laís, como se tivesse absoluta certeza de que ela iria aparecer, Zoraida encerrou a chamada arbitrariamente.
Através do vazamento de áudio do celular, Jorge ouviu perfeitamente o teor da conversa.
Ele olhou instintivamente para Laís:
— Zoraida Vargas, não é?
Laís concordou com um aceno de cabeça.
— Sim. Pelo tom dela, parece que já convenceu o Venceslau Vargas e agora está apenas esperando para armar contra mim.
Jorge sorriu de leve:
— Então vamos até lá ver que tipo de banquete armadilhado eles prepararam para nós.
Laís pretendia exatamente isso:
— Ótimo. Com você me acompanhando, não há lugar a que eu não ouse ir.
Ela dissera aquilo com uma naturalidade tão imensa, as palavras saindo de forma puramente inconsciente.
Esses dias todos, ela verdadeiramente e sem perceber, transformara Jorge em seu parceiro de maior confiança.
No entanto, no milésimo de segundo seguinte em que as palavras deixaram os seus lábios, ela teve um estalo súbito. Aquilo havia soado de maneira um tanto ambígua.
O coração de Laís sobressaltou-se levemente. Sem dar tempo a Jorge para falar, ela se justificou apressadamente, com as bochechas rubras de calor:
— Eu quis dizer companhia no trabalho, nada além disso. Jorge, não entenda mal.
Um brilho de riso transpareceu nos olhos de Jorge.
— E se eu já tiver entendido mal?
O rosto de Laís ferveu no mesmo segundo. Ela não fazia a mínima ideia de como retrucar, muito menos teve coragem de erguer a cabeça para encarar os olhos dele:
— ...

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