Jorge escutava com grande interesse:
— Continue...
Laís sorriu e prosseguiu:
— Quando minha mãe começou a trabalhar na casa noturna, ela apenas vendia bebidas, mas os vizinhos achavam que ela era garota de programa por causa da maquiagem pesada. Uma vizinha não tinha coragem de xingar minha mãe, então resolveu descontar em mim, uma criança, me chamando de piranha mirim... Eu tinha só nove anos na época, mas assim que ouvi aquilo, joguei minha mochila nela e caímos na porrada. No fim, eu ganhei!
Laís bateu no peito com orgulho, os olhos brilhando com uma teimosia sincera, parecendo uma criança cheia de marra que ainda não havia crescido.
Jorge ergueu o polegar com sinceridade:
— Você é realmente incrível, Laís.
Laís sorriu.
— Aconteceram tantas coisas assim... Desde pequena, lidei com muitas pessoas e situações injustas. Minha mãe sempre me ensinou: se não estiver satisfeita, lute. Este mundo sempre foi a lei do mais forte. Se você demonstrar o menor sinal de fraqueza, os outros vão te massacrar sem dó. Para não ser pisoteada, precisei me tornar forte.
Um brilho de compaixão passou pelos olhos de Jorge, pois era uma dor que ele, tendo crescido como cresceu, jamais experimentara.
Laís observou a paisagem da rua passando rapidamente pela janela e suspirou:
— Desde o ano em que meu pai foi embora com meu irmão, minha vida nunca mais teve paz. Para sobreviver, precisei lutar, precisei vencer. Mesmo que saísse com a cabeça sangrando, eu lutaria desesperadamente para conquistar o meu lugar. Mais tarde, conheci Felipe Vasconcelos, e o destino nos uniu. Você sabe o que senti quando achei que ele não assumiria a responsabilidade, mas ele me propôs casamento?
Jorge escutava em silêncio, sem interromper.

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