Já era muito tarde.
Thiago fora liberado apenas naquela tarde e ainda estava em estado de choque; a última coisa que queria era sair de casa.
Além disso, tudo o que ocorrera na noite anterior deixara uma sombra gigantesca em sua mente.
Por sorte, na noite anterior, ele mantivera o seu limite e recusara-se terminantemente a tocar naquelas drogas; caso contrário, provavelmente ainda estaria mofando na prisão.
Ele, que sempre fora um cara pacífico e de boa índole, ainda sentia o coração acelerado de tanto pavor.
Por um bom tempo, ele definitivamente não queria ter nenhum tipo de contato com ninguém da família Vasconcelos.
Essas pessoas o assustavam de verdade.
Ao ver a chamada de Felipe, Thiago nem pensou duas vezes; desligou a ligação imediatamente.
Felipe ligou três vezes seguidas e, como Thiago recusou todas elas, ele entendeu o recado e não voltou a ligar.
A última embarcação da sua amizade havia naufragado; agora, ele era um homem inteira e completamente solitário.
Felipe, com a expressão no ápice da apatia e arrastando-se como um morto-vivo, caminhou sem perceber até a Adega Privada onde ele e os seus amigos costumavam se reunir.
Mas, ao chegar e tentar empurrar a porta, descobriu que estava trancada.
Na porta, havia um aviso que dizia 'Ponto para Alugar'.
Felipe fitou aquelas palavras atônito por um longo momento. Deu um repuxo nos lábios em autodepreciação e um sorriso extremamente amargo se formou involuntariamente em seu rosto.
Enfim, não eram só os amigos. Até mesmo o que ele considerava o seu último refúgio já estava totalmente perdido.
Felipe voltou para a Vila das Rosas completamente sem rumo e devastado.
Dona Lúcia abriu a porta para ele; seguindo suas ordens, ela já havia preparado alguns petiscos para acompanhar a bebida e aguardava o seu retorno.
A essa altura, ele já não encontrava mais ninguém com quem pudesse conversar.

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