Felipe ficou parado no mesmo lugar, seu rosto ardia como fogo, sua expressão oscilando entre o pálido e o esverdeado.
Ele, que normalmente estava acostumado a discursar apaixonadamente e com eloquência na frente das multidões, naquele momento sentiu como se tivesse sido completamente despido diante de todos.
Aquela sensação era como estar sendo assado em fogo vivo e frito em óleo fervente por outras pessoas.
Fabiana tremia da cabeça aos pés de tanta raiva:
— Vocês... Vocês...
Ela se sentia injustiçada, incapaz de suportar aquilo, afogada em vergonha e fúria. Queria desesperadamente defender Felipe, gritar que ele era inocente, mas descobriu que não tinha forças para refutar.
Houve um tempo em que a família Vasconcelos era considerada uma das mais prestigiosas e ricas dinastias de Marbella.
O momento em que o prédio do Grupo Vasconcelos foi concluído marcou absolutamente o ápice da glória da família.
Qual dos ricaços de Marbella não queria se aliar e bajular a família deles?
Olhando ao redor, eles sempre estiveram rodeados de amigos. Ninguém jamais havia ousado dizer-lhes uma única palavra dura, muito menos apontar o dedo em seus rostos, xingando-os sem piedade e sem lhes dar qualquer pingo de respeito.
Como uma espectadora dessa crise dentro de sua própria família, Fabiana sentiu, naquele momento, o significado mais profundo daquelas palavras: o império havia caído.
Seu irmão já não era o jovem talentoso, aclamado por todos, que frequentemente figurava nas capas de revistas de negócios.
Toda a família deles, agora, havia se reduzido a uma mera piada aos olhos de todos.
Consumida pela humilhação e fúria, Fabiana cerrou os punhos e, puxando um Felipe já entorpecido, fugiu como um cão abandonado, sob os cuspes e xingamentos da multidão.
Eles entraram rapidamente no carro e sumiram de vista.
Enquanto isso, Laís, Lídia e Jorge, sentados no Cullinan de Jorge, testemunharam todo o processo da humilhação e fuga patética deles.
Um leve brilho piscou nos olhos de Jorge:
— Laís, será que já não é hora de acabar com essa farsa?
Laís, com o rosto inexpressivo, olhou para a rua vazia:

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