Eram ninguém menos que Jorge Andrade e Laís Monteiro.
Eles estavam de pé entre os curiosos, observando tudo com um olhar gelado.
Percebendo que ele olhava para ela, os olhos de Laís atravessaram a multidão e cravaram nele.
Aquele olhar transbordava um ódio cortante e escárnio.
Felipe se sentiu como um pedaço de carne sobre a tábua de cortar, sem o menor pingo de dignidade ou personalidade.
Ele abaixou a cabeça, encarando seus músculos peitorais e abdominais, que ainda pareciam robustos. Pela primeira vez na vida, achou que aqueles músculos eram apenas um fardo.
Se não fosse por eles, talvez ele não se destacasse tanto no meio daquela multidão, chamando atenção ao primeiro olhar.
Felipe acabou sendo levado na viatura.
Todos os seus dispositivos de comunicação foram confiscados.
A polícia até mesmo os privou do direito de trocar de roupa.
Levaram todos, sem exceção, para a delegacia.
Tudo o que se seguiu ocorreu estritamente conforme o protocolo.
Felipe foi obrigado a se despir para uma revista corporal completa, seguida por exames de sangue e de urina. Depois, ele e todos os outros homens da festa foram trancados em uma sala escura.
Após uma noite inteira de tormento e com todos os procedimentos concluídos, o dia já havia amanhecido completamente.
Os poucos que apenas haviam se embriagado, sem consumir drogas, acordaram e se entreolharam, confusos.
Estavam todos com expressões de total perplexidade.
Felipe examinou o rosto de cada um minuciosamente. Viu Thiago Queiroz, o Sr. Morais, o Sr. Alves e cada pessoa que esteve na festa na noite anterior. O único que não viu foi Gustavo Matos.

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