Laís pisou fundo no acelerador e dirigiu de volta para a Vila das Rosas, a mansão onde o casal morava.
Ao empurrar a porta, a antiga governanta da casa, Dona Lúcia, e a babá que Laís havia contratado, Dona Zélia, brincavam com a bebê.-
As duas se assustaram ao ver o rosto pálido de Laís:
— Senhora, o que aconteceu com a senhora?
Laís forçou um leve sorriso:
— Nada não, estou com fome. Por favor, prepare uma sopa de macarrão com gengibre para mim.
Pegando a bebê dos braços de Dona Zélia, o coração confuso e tumultuado de Laís finalmente encontrou paz ao ver o rostinho macio e rosado da filha.
Ela deu um beijo no rosto da bebê e indicou para Dona Zélia levá-la para dormir no quarto infantil.
Dona Lúcia trouxe o macarrão pronto, e Laís mal havia dado a primeira mordida quente.
No segundo seguinte, várias fotos recebidas em seu e-mail de trabalho reacenderam de imediato a raiva que ela tinha acabado de reprimir.
As fotos vieram de um remetente anônimo e eram provas irrefutáveis de Felipe fazendo companhia a Sofia, desde a gravidez até o parto.
As imagens eram nítidas, os gestos eram íntimos, cobrindo cenários diversos como parques, hospitais e restaurantes.
Laís folheava foto por foto, sentindo os dedos enrijecerem e o sangue congelar.
E o autor do envio, parecendo não achar a provocação suficiente, ligou diretamente para ela:
— Já viu todas as fotos? Mulher-macho, enquanto você estava grávida se matando de trabalhar fazendo horas extras, o seu marido estava o tempo todo do meu lado.
— Sabe como ele é bom pra mim? Quando meus pés incharam, ele massageou. Com medo de que eu ficasse com estrias feias, ele passou óleo na minha barriga a partir do terceiro mês de gravidez, todos os dias, até o bebê nascer.
— Ah, a propósito. Eu sabia que aquela chave de ouro era uma relíquia da sua família, por isso eu fiz questão que ele desse para o meu filho. E ele obedeceu sem dizer uma palavra. Dá para ver o quanto ele não liga para você.
— Você finalmente entendeu? Está disposta a deixá-lo ir e se divorciar? Você já devia ter pensado assim. Uma mulher sem o menor charme feminino, uma viciada em trabalho que só sabe trabalhar como você não merece um homem tão maravilhoso quanto ele!
...
Ao telefone, a voz soava clara e brilhante como a de um jovem, mas cada palavra proferida era extremamente venenosa.
Nesse momento, o som da fechadura sendo destrancada indicou que Felipe havia chegado.
Ao ver Laís comendo macarrão na mesa de jantar, Felipe caminhou diretamente até ela e sentou-se à sua frente.
Ele mantinha um semblante frio. Assim que se sentou, tirou um maço de cigarros do bolso, puxou um e, de maneira natural, ofereceu a Laís:
— Você quer?
Laís lançou um olhar cortante de lado, com preguiça de sequer responder.
Ele aparentemente se esquecera de que ela parara de fumar por causa do bebê. Desde os preparativos para a gravidez até o parto, já fazia exatos dois anos que ela não acendia um cigarro.
O homem acendeu o próprio cigarro e esticou a longa perna, tocando levemente o joelho dela sob a mesa:
— Me diz, precisava de tudo isso? Como pode ter ficado tão mesquinha e irracional só por ter tido um filho?
— Jorge está envolvido em um projeto secreto de infraestrutura, está isolado e não pode sair. A Sofia tem a saúde frágil e é delicada, cresceu na minha casa, e o Jorge é o meu melhor amigo. Só estou cuidando mais dela porque não há outra opção. Não te contei com medo de que ficasse com ciúmes. E como eu previ, olha só como você está...

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