A beira da loucura, Patrícia já havia perdido o resto de sensatez:
— Em Marbella, não há nada de que a família Vasconcelos não consiga escapar impune!
— É só uma mercearia como o Belle de Nuit. Vamos queimá-lo e eu quero só ver do que a Lídia e a Laís vão se vangloriar quando ficarem sem nada.
— Qual o problema com essa bobagem de "a melhor casa de Marbella"? De agora em diante, vou varrê-lo do mapa! E vou fazer aquelas duas perecerem!
Após destilar seu ódio incontrolável, Patrícia encerrou a ligação.
Com um sorriso de satisfação, Viviane parou o gravador e salvou o áudio. Tocou os olhos com Sofia e as duas esboçaram um sorriso enviesado.
Sofia disse:
— Mãe, a senhora gravou a conversa com a tia para ter provas? Não é muita maldade da nossa parte?
Viviane respondeu:
— Um rolo desses, sem uma gravação, imagine se a sua tia joga tudo nas nossas costas. É por via das dúvidas.
Sofia assentiu sorrindo, sem dizer mais nada. Puxou o telefone e discou para a pessoa com a qual já havia mantido contato.
—
No meio da noite.
Laís preparou uma série de pratos especiais em homenagem à mãe.
Aquele era o primeiro jantar tranquilo que mãe e filha partilhavam após tanto tempo, agora com o complemento da pequena.
Após terminar, Lídia limpou a boca com um guardanapo:
— A julgar pelo gosto, você deve ter cozinhado bastante para o Felipe nos últimos anos. Está bom.
Laís sorriu constrangida:
— É.
Lídia lançou-lhe um olhar desaprovador, frustrada com sua ingenuidade:
— Dar a vida e no fim só receber migalhas... Eu lhe disse antes para ficar longe de todos da família Vasconcelos, mas você não deu ouvidos e teve que dar de cara no muro, não é?
Antigamente, ao primeiro sinal de contrariedade, Laís já partiria para a briga com a mãe.
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