A sensação de ansiedade que aprisionava a garganta de Felipe lentamente desvaneceu.
Ao ver que Laís finalmente saboreava a comida, uma onda de satisfação ainda mais doce que qualquer iguaria tomou conta dele.
Percebia claramente que sua “gulosinha” estava vorazmente com fome.
Com movimentos meticulosos, ela escolheu cada porção à sua frente. Suas pequenas mordidas o fizeram se recordar imediatamente daqueles coelhos adoráveis que ela tanto apreciava.
Sempre que Felipe se esforçava para agradá-la em suas refeições, ele indiscutivelmente acertava o alvo de suas preferências gustativas.
Cada prato, desde a intensidade do tempero até a harmonia dos acompanhamentos, ressoava profundamente com seu coração.
Laís desfrutou cada bocado até se sentir plenamente saciada.
Até que, soltando um pequeno e irreprimível arroto, repousou a tigela e os talheres.
Ao cruzar o olhar com Felipe, seu rosto exibiu um leve tom de rubor, como se buscasse uma justificativa repentina:
— Exagerei apenas para ter forças para cuidar da bebê. Estive fraca por não me alimentar adequadamente estes dias.
Felipe mal conseguiu conter um sorriso, expressando suas palavras com suavidade:
— Compreendo o seu empenho, Laís. Você é notável; em você, vejo a força de uma mãe.
Mesmo não cultivando qualquer afeto pelo homem que estava ali — pelo contrário, ela sentia até uma certa repulsa.
No entanto, a refeição lhe incutiu um sentimento de paz peculiar. Era como se a raiva, tal como a fome, tivesse se dissipado, substituída por uma satisfação serena.
É o que dizem: não se pode morder a mão de quem te alimenta.
Uma tranquilidade estranha e quase onírica desceu sobre ambos.
Ainda mais ampliada pela quietude solitária da imensa cantina do hospital; ali sentados juntos, o silêncio lhes causava um desconforto inquietante.
— Poupe os comentários vãos. Você queria discutir sobre o divórcio, não?
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