A caminho do hospital, Felipe repassou mentalmente as palavras que Jorge tinha dito há pouco.
Ele ligou para o Jorge duas vezes seguidas, mas a única resposta foi o aviso de que o telefone estava desligado.
Jorge era o tipo de pessoa com exigências rigorosas sobre o seu sono, mantendo sempre o telefone desligado na hora de dormir, um hábito do qual Felipe estava perfeitamente ciente.
Sua esposa no hospital e ele ainda consegue dormir? ... Jorge não parecia estar agindo melhor do que ele, afinal.
Felipe não pôde deixar de sentir um certo desdém, mas, ao contrastar as atitudes que Laís e Sofia adotavam com seus maridos, foi imediatamente tomado por um enorme sentimento de frustração.
Embora Sofia pudesse ser um tanto dramática e ter seus acessos de choro, isso não passava das típicas manhas e queixas femininas, diferentemente de Laís, que agia de forma escandalosa a ponto de deixar todos na cidade cientes do assunto.
Talvez fosse melhor não correr tanto atrás dela; ele devia começar a aplicar alguma medida drástica.
Contudo, agora ela já tinha se demitido da empresa, já tinha se mudado da Vila das Rosas, e não permitia que ele visse a filha.
Antes, quando a trancara em casa numa tentativa de contê-la temporariamente, a sua atitude imediata tinha sido colocar fogo na própria moradia.
Ela agora estava fora do seu alcance e controle em todas as frentes. Que tipo de método ele poderia usar para submetê-la?
Felipe estava com os nervos à flor da pele, todo o seu corpo sentia calores de ansiedade, e ele estava extremamente relutante em subir no terraço do hospital.
Sofia, usando vestes hospitalares, estava sentada no parapeito a tomar o vento, enquanto a mãe dele, vestida da mesma forma, estava ao lado dela, puxando-lhe os braços com força, desesperadamente.
Ao ver Felipe, Patrícia gritou de imediato:
— Felipe, rápido! Aconselhe a sua irmã. Diga-lhe que não deixe os sentimentos cegos dominá-la. Ela não pode tirar a própria vida, o Caio ainda é tão pequeno!
Felipe foi na direção delas e estendeu a mão para Sofia.
Com os olhos vermelhos e cheia de queixas, o rosto de Sofia estava tão inchado que parecia uma coxinha, e apresentava um ar quase cômico.
Na verdade, ela não queria se atirar, só queria ver o Felipe e sabia perfeitamente bem que esse truque resultaria.
Felipe deu um puxão leve, e ela desceu do parapeito, atirando-se em seus braços, soluçando baixinho.
Patrícia voltou o seu olhar para Felipe:
— Felipe, pense numa solução logo. Abafe o que está acontecendo. Se a Laís continuar agindo tão imprudentemente, nunca saberemos quando as coisas irão acabar. A nossa família já foi completamente humilhada!
Instintivamente, Felipe queria afastar Sofia de seu corpo, mas percebeu que ela tremia agressivamente.
Ele franziu as sobrancelhas:

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