No passado, ao ver Patrícia Lacerda assim, Felipe Vasconcelos não suportaria e tentaria aconselhá-la.
Mas agora, ele havia perdido completamente as ilusões sobre o chamado afeto familiar de seus pais.
Aqueles chamados parentes, nos momentos cruciais, nenhum deles podia ajudá-lo, especialmente sua mãe, Patrícia Lacerda, que mais atrapalhava do que ajudava.
Se ela tivesse ao menos metade da grandeza e tolerância de Clara Campos.
Se ela tivesse ao menos metade da visão geral de Clara Campos.
Ele não teria chegado a essa situação hoje.
Mas, a esta altura, ele só via injustiça e raiva no rosto de sua mãe, sem enxergar o menor traço de reflexão.
O tom de Felipe Vasconcelos era gélido:
— Se você não engolir, quem vai? Se você chegou a esse ponto, a culpa é toda sua.
Aquelas palavras foram pesadas, atingindo o coração de Patrícia Lacerda como um martelo de ferro.
Patrícia Lacerda ergueu a cabeça bruscamente, olhando incrédula para o filho que sempre mimara, tremendo da cabeça aos pés:
— Felipe, você... o que você disse?
— Como você pode falar assim com a sua mãe? Você... se não quer me ajudar, tudo bem, mas ainda me culpa?
Os olhos de Felipe Vasconcelos continuavam sem o menor pingo de calor:
— Coloque a mão na consciência, não é verdade?
Ele baixou a voz de propósito:
— Se não fosse por você passando vergonha repetidas vezes, criando confusão repetidas vezes, arruinando a família Vasconcelos repetidas vezes, esta casa não teria chegado a esse ponto.

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