Ao pensar que ele havia acabado de enfrentar sozinho o cerco de várias pessoas para protegê-la, recebendo aqueles golpes frios e pesados dos canos de aço, o coração de Laís doeu e se apertou.
Jorge sentiu o toque frio do remédio nas costas e também percebeu o medo e a dor na voz dela. Ele virou levemente a cabeça, os olhos cheios de um sorriso terno, a voz rouca, mas tranquilizadora:
— Eu estou bem, de verdade. A situação era urgente, se eu não tivesse bloqueado, quem se machucaria seria você. Sou um homem, proteger a minha própria esposa é o meu dever.
Ele fez uma pausa e a confortou suavemente:
— Não chore, esses machucados vão sarar em alguns dias. Não fique triste por mim.
Laís fungou, enxugou a umidade no canto dos olhos, reprimiu as emoções que transbordavam e limpou cuidadosa e meticulosamente cada ferida, aplicando pomada para inchaço com cautela:
— Não estou triste, estou com medo do que poderia ter acontecido. Se o meu irmão não tivesse chegado a tempo hoje, nós dois provavelmente não teríamos saído vivos daquela garagem subterrânea.
Jorge assentiu:
— Sim, se não fosse pelo Bill, nós realmente não teríamos tido muita sorte desta vez.
— Mas o desempenho dele na hora foi realmente chocante! O seu irmão não parece nem um pouco alguém que perdeu as pernas. A agilidade e o tempo de reação dele são ainda mais rápidos do que os de uma pessoa normal.
Laís lembrou-se da cena na garagem e concordou plenamente:
— Eu vi as pernas mecânicas do meu irmão, por fora não parecem nada diferentes, como se tivessem realmente crescido no corpo dele.
— Será que a alta tecnologia já chegou a esse nível de perfeição?
— Eu sempre quis perguntar a ele, mas nunca tive coragem. Tenho medo de tocar na ferida dele, então não ouso perguntar muito.

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