Fernando encarou, atônito, o documento perfeitamente impresso sobre a mesa, e suas pupilas se contraíram.
Ele imaginou que Felipe apresentaria, no máximo, um documento padrão de divisão de bens.
Mas, quando seus olhos pousaram no título — Acordo Final de Segregação de Ativos e Confirmação de Capital da Família Vasconcelos —, todas as suas esperanças e planos egoístas desmoronaram.
Felipe mantinha uma postura ereta, com uma expressão fria e indiferente, sem demonstrar a menor emoção.
Era como se a pessoa à sua frente não fosse seu pai, mas sim um estranho com quem estava prestes a cortar laços.
— Pense bem, pai.
Felipe falou com calma, mas com um tom de autoridade absoluta: — Eu preparei este acordo há muito tempo. Não foi uma decisão impulsiva.
— O último relatório financeiro do Grupo Vasconcelos já tinha saído. O déficit atual das contas ultrapassava os dez bilhões.
— Estou disposto a assumir essa bomba que é o Grupo Vasconcelos nesta situação crítica e lutar até o fim. Mas, a partir de hoje, todas as ações principais, ativos fixos, lucros de projetos e capital de giro do Grupo Vasconcelos pertencerão exclusivamente a mim.
— Você manterá apenas o título de Presidente Honorário, sem qualquer poder de assinatura, alocação ou controle sobre os ativos.
As pontas dos dedos de Fernando tremeram. A mão que segurava o acordo não parava de sacudir.
Quanto mais ele lia, mais pálido seu rosto ficava.
Aquele acordo o pegou totalmente desprevenido, destruindo todos os seus planos e aniquilando o sonho de criar um fundo de um bilhão no exterior para cada um de seus três filhos ilegítimos.



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