Laís olhou para o casal de idosos à sua frente, que agiam com muito cuidado para não magoála, e sentiuse ao mesmo tempo emocionada e tocada.
Em seu coração, surgiu mais uma vez um contraste nítido.
No passado, na família Vasconcelos, desde o primeiro dia em que ela e Felipe Vasconcelos assinaram os papéis e entraram na casa, foram pressionados pessoalmente por Patrícia e Fernando a terem filhos.
Mais tarde, quando ela finalmente conseguiu engravidar, teve que suportar a pressão invisível exercida por Patrícia durante toda a gestação.
Patrícia havia dito na sua cara, mais de uma vez, que naquela família, ter uma filha não servia para nada; era preciso ter um filho varão para garantir de verdade o seu lugar dentro de casa.
Até mesmo quando Laís estava grávida de três meses, ela sugeriu que Laís fizesse um ultrassom para descobrir o sexo do bebê.
Laís recusou categoricamente na época, mas durante toda aquela gravidez, ela teve que suportar tanto a pesada carga de trabalho quanto a pressão invisível da família Vasconcelos... Ela se lembrava de que, naquela época, estava com os nervos à flor da pele e sofria constantemente com esgotamento nervoso.
Quando finalmente deu à luz Aline, ela ainda se lembrava do olhar de nojo e indiferença de Patrícia ao ser empurrada para fora da sala de parto, após escapar por pouco da morte.
Quando a enfermeira se aproximou com Aline no colo e brincou dizendo para a avó segurá-la um pouco, ela recuou dois passos como se estivesse fugindo de uma doença contagiosa. Inventou a desculpa de que as suas unhas estavam compridas demais e não eram adequadas para segurar a criança, recusando-se a pegá-la sequer por um instante.
Laís estava deitada fracamente na cama de parto, com o corpo sangrando, e o seu coração também sangrava.
As atitudes da família Vasconcelos quase a fizeram acreditar que talvez todas as famílias dos maridos no mundo fossem tão frias e insensíveis.
Mas agora, olhando para aqueles dois pais à sua frente, que a cuidavam com tanto zelo e desejavam entregar-lhe toda a sua sinceridade, ela percebeu que nem todos os sogros do mundo eram tão rigorosos.
Laís assentiu e disse com firmeza:
— Pai, mãe, o Jorge e eu já decidimos.
— Nós vamos nos apressar. Se houver alguma novidade, seremos os primeiros a avisar vocês.
O tom calmo de Laís deu a Clara e a Daniel uma grande pílula de tranquilidade.
Clara e Daniel seguraram as mãos um do outro instintivamente e trocaram um olhar. Havia uma alegria incontrolável nos olhos de ambos.
Clara assentiu imediatamente:
— Certo, mas deixem acontecer naturalmente, não se pressionem demais.
Após dizer isso, ela deu um tapa forte no ombro de Jorge:
— E você, garoto, já que tomaram essa decisão, a partir de amanhã você vai começar a comer carne bovina, fazer exercícios todos os dias e se nutrir bem.

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