CAPÍTULO 146
Alexander Caruso
— SOLTEM O ADVOGADO! — ordenei, e Maicon começou a soltar, Antony não disse nada, aposto que também queria ouvir o que o advogado diria.
— NÃO ACREDITEM NELE! É MENTIRA, ELE VAI INVENTAR COISAS, NÃO OUÇAM! SEU INFELIZ! INFELIZ! — Edoardo começou a se contorcer para sair, parecia querer bater no advogado.
— Agora diga de uma vez! — o advogado foi solto, mas caiu no chão, provavelmente por termos esticado seu corpo nas cordas.
— Ele tem um negócio ilícito! Ele e seu pai eram sócios de um lugar que comprava jovens garotas, a partir dos treze anos, até no máximo dezessete...
— O quê?
— MENTIRA! — Edoardo gritou.
— Sim, tem uma boa parte desse dinheiro escondido que vem disso, eles leiloavam e vendiam essas garotas, que normalmente eram roubadas de suas casas, poucas eram vendidas! — passei as mãos na cabeça, virei as costas, não queria acreditar naquilo.
— Quanto seria essa porcentagem? — perguntei.
— Uns trinta por cento do dinheiro! — eu não consegui mais me virar, tive vergonha de ser filho de Robert Caruso, nesse momento só queria me esconder, sumir de onde estávamos, senti um nó imenso na garganta.
— Me diga a localização exata, e todos os nomes envolvidos! — Don Antony assumiu, e precisei sair e dar uma volta para fora da sala.
Eu não queria nem olhar para a cara deles, precisava respirar, pensar...
— Alex? — Laura veio atrás de mim, me abraçando. — Está tudo bem, o Tony está cuidando disso, até mesmo fez uma ligação agora, nossos homens já estão indo até o local, você não vai precisar se incomodar, ok? — me virei pra ela.
— Não consigo acreditar que meu pai era esse monstro, como nunca soube de nada disso? Caralho, poderia ter vendido a Katy!
— Calma, isso não aconteceu, certo? Ele no fim, escolheu um bom homem pra ela, pelo visto confiava muito no Peter. O importante agora é não deixar que o passado e o caráter do seu pai, pese sobre você, porquê você é o “Alex”, não o Robert! — abracei a Laura por um momento, não tive pressa de voltar.
— Preciso agradecer o seu irmão...
— É a obrigação dele, é o Don! Agora esqueça que Robert ainda tenha alguma influência sobre você e entre naquela sala para destruir aqueles maledettos! Se não quiser matá-los, deixe-os sofrer mais tempo, mas não permita se sentir pra baixo por culpa desses demônios!
— Você está certa! Por isso te amo, tanto...
— Porque, senhor Caruso?
— Não vai mais me xingar de Siciliano maledetto?
— Você é um safado, vejo que já está melhor! — puxou meu braço.
— Segure a cabeça dele, amore mio... — ela disse e segurei Edoardo pela cabeça. Pablo jogou os papéis e a caneta no chão, enquanto Enzo pisou na coluna dele. — Maçarico! Eu vou começar a aproximar, se demorar a assinar, vou te queimar todo!
Edoardo tentou sair, mas claro que não conseguia. O advogado conseguiu levantar, mas numa rasteira, Maicon o fez cair de boca no chão e meteu chutes na sua barriga.
A medida que Laura encostou o maçarico na cara de Edoardo, ele começou a gritar e pegou a caneta.
— EU ASSINO! EU ASSINO, PORRA! — Pablo foi indicando os lugares, e ele mal olhava para o papel, porque Laura não teve pena, simplesmente continuou queimando, mesmo depois de assinado ela continuou. — PARE! EU JÁ TERMINEI, JÁ ASSINEI!
— E, daí? Seu frouxo! — ela colocou no cabelo dele e queimou tão rápido que Pablo jogou um pano para aplacar o fogo, e pai e filha gargalharam juntos.
— Katy? — ela então chamou a minha irmã que estava num canto. — Quer fazer com o advogado? — Katy assentiu, e então a história se repetiu, e os gritos aumentaram.
Edoardo foi jogado para outro canto, Pablo guardou aqueles documentos enquanto Katy fez exatamente igual a Laura, aprendeu rápido, e parecia gostar de machucar o advogado com o fogo.
Vi como Peter olhava pra ela, e tenho certeza que escolhi o marido certo para Katy e a esposa certa para o Peter, porque a essa altura do campeonato, quero que se foda os pedidos do meu pai, vou descobrir como desbloquear aquelas contas, e eles estarão livres de tudo isso, terão filhos, apenas se quiserem. Até porque, pelo que entendi, o idiota do meu pai, confiou a Edoardo a tarefa de cuidar dessas contas e o cumprimento delas, embora o que ele tenha feito, seja exatamente o contrário.
— TRAGAM OS ALICATES! AGULHAS E PREPAREM A SALINHA ESPECIAL! — Don Antony anunciou.
— Vai alimentar as cobras ou os cães? — perguntei e vi o pavor na cara daqueles dois.
— Bom, tem alimento suficiente para ambos...

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