CAPÍTULO 194
Débora Andrade
Eu não fazia ideia de que havia outra caixa daquela, e muito menos que fosse tão bonita quanto é a dourada.
— É tão recente, Luigi... faz pouco tempo que nos conhecemos. — falei, e ele chegou bem perto, tocou de novo no meu cabelo, me olhando nos olhos.
— E, você precisa de mais tempo para saber que sou eu, o homem que vai passar o resto da vida ao seu lado? — sorri.
— Não, não preciso...
— Então responde, Débora...
— Eu aceito.
Essas alianças eram ainda mais lindas, fiquei impressionada ao olhar pra elas, ver o cuidado com que Luigi as segurou, a forma como colocou no meu dedo, como olhava pra mim e para as alianças, então fiz questão de segurar a outra e colocar nele também.
— Você promete que não vai mudar quando estivermos casados? Que vai achar que assinei uma procuração onde você é dono da minha vida? Promete pra mim que ainda será o mesmo, e que mesmo rude, ainda será o mesmo Luigi por quem me apaixonei?
— Eu sei que sou meio ogro, sei que forcei a barra, mas quero mudar, Débora. Eu só quero que me ame, me ame pelo que eu sou, só isso.
— Eu amo você, Luigi..., mas eu acho que existe algo que ainda não está bem resolvido em si mesmo, você guarda mágoas, coisas que te fazem ter esse espírito de possessão, que não há necessidade. Da mesma forma que você repetiu tantas vezes que não era Leonardo, eu também repito: Não sou a Bete!
— Débora... tenho vontade de seguir em frente, mas pra isso queria quebrar a cara do Leonardo, porém não pude. Eu me preparei tanto para o momento em que eu me vingaria, e quando chegou a hora, deixei tudo nas mãos do Don, não fui capaz de me vingar, de dizer o que estava entalado.
— Bom, ele não é seu pai, e sim seu progenitor... então vá em frente, quebre a cara dele por você, por mim... não guarde mais nada por ele, deixe sair.
— Você se importa de ficar com a companhia da minha mãe?
— Não...
— Eu acho que tenho um compromisso...
— Vai lá, Luigi! Se liberta disso, o Don vai entender. Ele me deu um beijo, me abraçou, e então saiu...
“Quebre a cara dele, Luigi!“
Luigi / El Chapo
Débora tinha razão, por mais que algo estava me impedindo de agir como planejei, ainda dava tempo, e eu poderia resolver isso. Entrei no meu carro e fui até a boate aonde o Don, provavelmente teria levado aquele infeliz.
Quando cheguei não precisei dizer nenhuma palavra.
— Eu estava te esperando! Sabia que viria... — Antony disse, e me entregou uma corrente que segurava na mão — Vá em frente!
— Levanta seu infeliz, vamos! Vem até aqui... — como ele não levantou, eu o ergui pelo colarinho, e voltei a espancá-lo.
Don Antony esquentou um ferro quente e também começou a torturar, e eu não tive pena dele, bati com o fio de luz e depois quebrei uma garrafa no chão e o joguei em cima.
O Don prendeu as mãos dele na Aplastapulgares.
Esta é uma das máquinas de tortura mais simples e antigas que existem. O aplastapulgares é um dispositivo de ferro mecanizado, onde colocamos as mãos de Leonardo para serem mutiladas aos poucos.
A máquina foi ajustada para destruir primeiro as unhas e dedos, depois as articulações e finalmente a mão inteira.
Ele não iria morrer, mas sofreria uma dor inacreditável.
— O QUE ESTÃO FAZENDO? PAREM! PAREM COM ISSO, EU NÃO VOU AGUENTAR! — Leonardo gritava, enquanto a aplastapulgares começava o trabalho.
Ela tinha três hastes metálicas dispostas verticalmente entre os polegares, enquanto uma barra de madeira maciça deslizava por baixo das hastes, os dedos eram esmagados por parafusos que eram apertados cada vez com mais força.
Vê-lo sofrer, foi acalmando as dores que senti ao assistir os vídeos que ele me mandava. Acalmando o fato de saber que esse homem também torturou a minha mãe, a Débora e outras mulheres.
— Você não vai morrer, porém nunca mais voltará a colocar as mãos em nenhuma mulher! — falei firmemente. — Depois que terminarem, façam o mesmo com seu pau, quero ele vivo, mas quero que sofra!
— AHHHHHH, SOCORRO! — ele começou a gritar e vi quando a máquina fazia o trabalho. Quando vi já era o suficiente, fui embora.

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