CAPÍTULO 147
Katy Caruso
Gostei de ver como aqueles dois foram bem tratados pela família Strondda, meu irmão e Peter. Fico olhando pra Laura e pensando que preciso me aproximar mais dela, gostaria de aprender mais coisas. Não sou como ela, mas entre atacar e sofrer, prefiro atacar, e isso ela pode me ensinar.
Depois dos documentos assinados, eles foram presos nas cadeiras, as mãos ficaram presas na frente dos corpos, havia algo que as apertava, tipo um ferro, assim nunca tinha visto, no pouco que presenciei de tortura, que meu pai autorizou enquanto ainda era vivo, não tinha esse acessório.
Entendi porque o Alex saiu aquela hora, deve ter sentido o mesmo que eu, o entendo, porquê também sofri.
Fiquei olhando tudo, e Laura foi a primeira a começar a enfiar agulhas nos ombros e costas deles. Só que essas agulhas eram grandes, pelo visto próprias para isso, e eram enfiadas com pressa e com força, onde ela enfiava ficava a marca do sangue de Edoardo, e Alex a acompanhou, e Laura gargalhava a cada novo furo, e fez com que o sorriso voltasse ao rosto do meu irmão.
— AHHHHH! EU QUERO MORRER!
— AHHHHH! MALEDETTOS! — os dois gritavam, mas ninguém iria se importar com isso, até que o Don ligou uma música bem alta, cada um segurou um alicate diferente e começaram a intensificar as torturas.
Olhei para Peter que foi o único que não pegou nada, seu olhar era ruim, encarava com raiva aqueles dois, e já imaginei o que pudesse passar pela cabeça dele.
Peter é agressivo, por ele já teria metido porrada, cortado membros e arrancado olhos, por isso estava calmo.
— Peter, assuma aqui! — Alex ordenou falando bem alto, então vi o semblante do meu marido melhorar. Ele pegou um saco plástico e começou a gritar fazendo perguntas e a sufocar o advogado, mas eu ouvia pouco, por causa da música.
Em meio a gritos e torturas, eles ainda se entregaram mais, contaram segredos e conseguimos muitos detalhes dos negócios sujos do meu pai com Edoardo, e também negócios que Edoardo tinha sozinho, e pelo visto tinha muito mais dinheiro do que imaginamos, ele escondia muito bem.
Eles levaram choques muitas vezes, Laura bateu muito na cara deles de mão aberta, seus rostos ficaram irreconhecíveis.
— Me passa a faca! — Peter pediu e então olhou pra mim. — Se quiser, pode sair, ou então fechar os olhos.
Eu não respondi, ele sabe que não vou sair e nem fechar os olhos, mas logo depois me arrependi... Peter começou a cortar dedo por dedo do advogado enquanto ele gritava, e depois fez o mesmo com Edoardo.
Me mantive firme, não demonstrei fraqueza. Então Peter cortou as mãos do advogado e os vi o carregarem para uma das salas.
— Levem Edoardo pra lá, também! Mas o tirem daqui uma hora! — Alex ordenou.
— Pra onde os levaram? — perguntei depois que saíram.
— Para as cobras! Não são venenosas, eles ficarão sentindo dores até morrer! Só que não quero que Edoardo morra, ele ficará apenas uma hora, depois será preso nas cordas. Até por isso não cortamos as mãos, ele vai viver mais. — Alex falou e eu assenti.
— Já podem ir, Peter! Alex e nossos homens cuidarão do restante. — Don Antony disse, e Peter me olhou.
— Tem certeza? Posso ficar mais tempo...
— Sim, podem ir! — ele parecia não querer ir, talvez estivesse fugindo de mim, mas a gente precisava conversar, ele sabia disso.
Me despedi de todos apenas com um aceno, e Peter me alcançou, segurando a minha mão.
— Vamos pelos fundos. — reparei que não havia ninguém, apenas os seguranças que nem nos olhavam direito, e Peter não soltou a minha mão.
— Aquele nojento tocou em mim, Peter. — olhei para o meu seio e vi o seu olhar seguindo o meu.
Havia sangue grudado na minha blusinha clara, meu bico estava machucado e colado nela. Quando levantei os olhos novamente, ele olhava fixamente para o mesmo lugar que eu, e pude ver a sua dor, estampada nos seus olhos.
Ele começou a tremer, sem nenhum movimento dele, escorreu uma lágrima.
— Me perdoa, eu não pude evitar... — ele negou apertando a colcha sobre a cama com força.
— Não foi culpa sua...
— Eu não acredito, Katy! Vou ressuscitar aquele verme só para matá-lo novamente! — ele ficou parado olhando para o local machucado e segundo após segundo, parecia ficar mais chocado, e com raiva.
— Me sinto horrível... suja, eu... — Peter me pegou no colo e me escondi nele, jogou os celulares na cama, e depois foi até o banheiro, ligando a banheira e entrando comigo de roupa e tudo debaixo da água.
O meu coração doía, mas eu tinha ele... e agora conseguia imaginar um pouco do que ele estava sentindo...
— Eu te amo, Peter... — sussurrei e ele voltou a me olhar, comigo deitada no seu colo, seus braços me segurando e a água caindo sobre nós. — Eu te amo... — repeti baixinho.
Ele me abraçou tanto, e chorou tão alto como uma criança quando sente tamanha dor e não consegue mais suportar, também enfiou o rosto em mim e vi que não precisavam palavras.
“Ele também me amava!“

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