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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 85

A caneta deslizou pelo papel com precisão. O som do tinteiro encontrando o contrato parecia amplificado pelo silêncio absoluto da sala. Um após o outro, os diretores da Bellucci Corporation observavam em silêncio, entre olhares de aprovação e curiosidade.

Enzo Bellucci, sempre impecável em seus ternos sob medida, folheava calmamente as páginas finais do contrato antes de assinar. Mas seus olhos, mesmo fixos nos documentos, não deixavam de observá-la. Dayse, sentada à sua frente, irradiava uma presença poderosa — e perigosamente encantadora.

— Tudo em ordem, Sr. Bellucci? — a voz de Dayse quebrou o silêncio com doçura profissional, mas o brilho em seus olhos era tudo menos neutro.

Enzo levantou os olhos lentamente, segurando a caneta entre os dedos.

— Tudo impecável, Sra. Lancaster — respondeu com um meio sorriso, carregado de intenções não ditas. — Como sempre.

O contrato foi assinado, as mãos se tocaram em um breve aperto formal que durou um segundo a mais do que o necessário. Os olhares se prenderam como peças de xadrez antes do primeiro movimento.

A reunião havia terminado, e os diretores deixavam a sala um a um, em passos lentos e murmurando comentários discretos. Cada um que passava por Dayse fazia questão de cumprimentá-la. Alguns limitavam-se a sorrisos cordiais. Outros, menos sutis, deixavam escapar palavras como "brilhante", "elegante", ou ainda mais revelador: "inesquecível".

Enzo assistia àquela procissão de admiração disfarçada com o maxilar levemente tenso. Seus olhos acompanhavam cada gesto, cada palavra trocada, e mesmo que não dissesse nada, o ciúme surgiu como uma sombra lenta, silenciosa e perigosa.

Quando um dos executivos ousou elogiar a firmeza de Dayse com um sorriso escancarado demais, Enzo tossiu — seco, sutil, mas suficiente para que todos entendessem o recado.

O salão esvaziou-se com uma velocidade conveniente. O silêncio entre os dois caiu como uma cortina.

Dayse se virou, ainda com o ar de quem observa o jogo se desenrolar a seu favor. Com os braços cruzados e um sorriso curioso, disparou:

— E então, onde fica minha sala?

Marina entrou na sala, recolhendo as cópias assinadas e os materiais da apresentação.

— O Sr. Bellucci vai de acompanhá-la até a sua sala, Sra. Lancaster — comunicou, olhando rapidamente para Enzo, que fez um gesto sutil.

— Na verdade, pensei em convidá-la para almoçar. Nada formal, apenas… celebração do acordo — disse Enzo, com um tom casual, mas os olhos presos nela como se desafiando-a a recusar.

Dayse, ainda sentada, curvou os lábios em um sorriso quase enigmático.

— Depende. É convite de CEO para CEO… ou é outra coisa? — perguntou, brincando com os limites entre o jogo profissional e pessoal.

Enzo ergueu uma sobrancelha, divertido e intrigado.

— Acho que só há um jeito de descobrir.

Dayse se levantou com elegância e pegou sua bolsa.

— Então me leve para descobrir — respondeu, deixando no ar a sensação de que ela era, ao mesmo tempo, a presa e a caçadora.

No restaurante exclusivo do topo do prédio, com vista panorâmica da cidade, os dois estavam sentados frente a frente, agora sozinhos. O garçom servia discretamente, mas o ambiente carregava uma intimidade velada.

Dayse havia retirado o sobretudo, revelando o vestido de corte impecável que delineava suas curvas de forma sutil, mas arrebatadora. Enzo demorou alguns segundos a mais do que o necessário para desviar o olhar. A mulher diante dele não era apenas atraente — era incontrolável.

— Você me intriga, Dayse Lancaster — ele disse finalmente, tomando um gole de vinho. — Parece que você nunca revela tudo de uma vez.

Ela sorriu, cruzando uma perna sobre a outra.

— Talvez porque você esteja acostumado a mulheres que se revelam cedo demais.

Enzo arqueou a sobrancelha.

— Isso foi um elogio ou uma provocação?

— Foi um fato — disse ela, firme, mas com o brilho divertido nos olhos.

Houve uma pausa. Ambos sabiam que a linha entre negócios e desejo havia sido cruzada.

— Eu estive pensando… — Enzo retomou. — Talvez possamos manter reuniões semanais de alinhamento. Com tantos detalhes entre nossas empresas, uma proximidade estratégica seria útil.

— Estratégica — ela repetiu, fingindo refletir. — Claro. Totalmente profissional.

— Sempre — ele disse, sustentando o olhar dela com intensidade.

Dayse inclinou-se ligeiramente para frente, baixando o tom da voz como se compartilhasse um segredo:

— Se continuar jogando assim, Sr. Bellucci… pode acabar se perdendo no tabuleiro.

Enzo sorriu de canto.

— E se eu já estiver perdido?

Dayse segurou o olhar por longos segundos. Por dentro, uma parte dela estremecia — aquele homem ainda a fazia sentir coisas que ela tentava enterrar. Mas a outra parte… a mais fria e estratégica… sussurrava:

“É exatamente isso que eu quero.”

Ao final do almoço, enquanto desciam juntos no elevador panorâmico, um silêncio cheio de promessas tomou conta. Ao pararem no andar de Enzo, Dayse se virou antes de sair:

— Até a próxima reunião, Sr. Bellucci.

— Não quer conhecer a sua sala, Sra. Lancaster — respondeu, os olhos presos nos dela.

Ela esperava que ele a conduzisse a outro andar, a uma ala separada — um gesto simbólico de parceria. Mas Enzo, como de costume, não seguiu o roteiro esperado.

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