Do outro lado da linha, a voz fria de Victoria escorreu como veneno sobre a pele de Theo.
— [Meu querido Theo. Como você está?]
Ele paralisou. O tempo pareceu desacelerar. Aquela voz… doce demais para ser sincera. Familiar demais para ser acolhedora.
— De novo? O que você quer? — sua voz saiu seca, instintiva.
O tom de Victoria era leve, quase musical, mas cada palavra carregava algo mais sombrio por trás.
— [Theo, Theo... que jeito mais rude de falar com sua mãe. — disse ela, com um sorriso na voz. — Quando eu voltar, nós dois vamos ter uma conversinha... só entre nós.]
Theo não respondeu. A raiva era um tremor surdo em seus ossos.
Victoria continuou: — [você já avisou seu pai que estou voltando para casa?]
― Ainda não. Ele voltou tarde ontem e hoje saiu muito cedo. ― respondeu Theo secamente.
Victoria suspirou com irritação.
Theo sentiu o estômago virar. Sabia, no fundo, que havia algo de errado em toda aquela história de reclusão, cadeiras de rodas e cirurgias misteriosas.
Victoria nunca foi só uma vítima. Ela era… outra coisa.
— [Avise logo seu pai que estou voltando] — disse ela, ríspida agora.
— [Em breve, tudo voltará a ser como antes.]
Antes de Theo dizer qualquer coisa, ela desligou.
O silêncio que se seguiu foi ainda mais ensurdecedor.
... Os irmãos perceberam de imediato que algo estava errado.
— Que foi? — perguntou Gael, se levantando. — Quem era?
Theo demorou a responder. Sentou-se com um suspiro pesado, como quem carrega algo que não queria dividir — mas sabia que precisava.
— Era Victoria — ele disse, encarando Dante. — Ela vai voltar.
— O quê?! — exclamou Noah, os olhos arregalados. — Mas ela estava se tratando fora do país...
— Está andando de novo. Vai voltar a morar aqui. E quer que eu avise o papai, porque ele não está atendendo as ligações dela.
Dante se levantou devagar. Não disse nada. Apenas andou até a janela e ficou ali, de costas.
Gael fez o que sabia fazer de melhor: explodir.
— Isso só pode ser brincadeira! Logo agora que a gente estava perto de resolver tudo? Agora que o papai e a mamãe estavam começando a...
— A mamãe ainda está escondendo o Theo — cortou Dante, ainda sem olhar para eles. — Não romantiza. A verdade está vindo, sim. Mas ainda tem um muro ali. E agora, a sombra da Victoria voltou para reforçar esse muro.
Theo respirou fundo.
— Ela vai tentar afastar o papai da mamãe. E talvez me afastar também. Sempre fez isso. Só que agora, ela anda. E vai estar em todos os lugares.
— O papai sabe que ela está voltando? — perguntou Noah.
— Não. E acho que ele não quer atendê-la. Mas eu vou avisar para ele não ser pego de surpresa. Ela vai querer desestabilizar. Marcar território. Ela é maquiavélica...
— Então precisa contar pra ele logo — disse Dante, se virando. — Antes que ela chegue com o circo montado.
Theo assentiu. Mas havia algo mais, uma inquietação que não sabia nomear.
— E tem mais uma coisa...
— O quê? — os três disseram quase em uníssono.
Theo hesitou.
— Quando ela falou comigo… parecia saber de alguma coisa. Como se estivesse acompanhando de longe. Talvez... ela já saiba sobre a mamãe.
... Na mesma noite, em outra parte da cidade, Luna atendeu uma ligação inesperada.
— Victoria? — sua voz foi tomada por surpresa.
— Olá, Luna. Como vão as investigações?

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