Aquele era o livro de receitas medicinais favorito de Gisele, com muitos pratos registrados.
Normalmente, Gisele gostava de lê-lo na cadeira de balanço do pátio, enquanto dizia a ela.
— Este prato é bom, hoje vou cozinhar um peixe para você, e fazer uma sopa de semente de lótus para acalmar o fogo e nutrir o estômago.
Agora, tudo estava destruído!
O olhar de Cristina escureceu, seus olhos carregados com a fúria de uma tempestade iminente.
Ela caminhou a passos largos em direção ao pátio interno.
Um jovem aprendiz vestido como massagista a viu chegar, largou o balde de madeira que segurava e, ansioso, levantou as mãos para gesticular.
Cristina pousou a mão em seu ombro, com um olhar profundo, mas um tom de voz suave.
— Ivair, não se apresse. Conte-me devagar o que aconteceu.
Ivair era um menino que Gisele encontrou na rua por bondade. Ele nasceu mudo e só se comunicava por língua de sinais.
Agora ele conseguia emitir sons com a garganta. Pequeno, de aparência limpa, com cerca de onze anos. Ele gesticulava para Cristina com os braços, seus olhos eram muito bonitos, e ele tinha um ar ingênuo e obstinado.
— Você está dizendo que tudo lá fora foi obra de Débora? — A voz de Cristina foi ficando mais fria.
Ivair assentiu e, com a voz rouca, continuou a gesticular.
Cristina arqueou uma sobrancelha.
— Ela disse a todos vocês que eu não estou mais com a família Junqueira?
Ivair fez um som de “uhm” e gesticulou.
— Vovó está muito preocupada com você.
— Preocupada comigo? — O sorriso de Cristina tornou-se ainda mais gélido. — Quem deveria se preocupar é a Débora.

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