ELISA RIVER.
Eu ainda estava me adaptando ao novo sentimento que havia me invadido. Havia muitos anos que eu não me apaixonava. A última vez fora ainda na adolescência, e não terminou nada bem. Acabei traída por aquele imbecil. Só de lembrar, a raiva ainda me subia ao peito.
Depois daquela experiência, foquei nos estudos. Me formei, fui para a faculdade, cursei Letras e me tornei professora, exatamente como sempre sonhei.
Claro que tive alguns parceiros depois disso, apenas sexo, nada sério. Nunca mais consegui me entregar de verdade a alguém após ter sido traída.
E agora, aqui estava eu. Apaixonada por Victor.
Um homem poderoso, rico e charmoso. Um homem que tinha mulheres suspirando por ele, correndo atrás dele. Um homem com uma psicopata em sua cola, disposta a destruir qualquer mulher que se aproximasse.
Eu estava com medo. Medo de que ele não sentisse o mesmo por mim. Medo de que fosse apenas uma paixão passageira, e não amor. Não sabia como agir com ele a partir de agora.
Não queria parecer uma boba apaixonada. Precisava entender o que eu realmente sentia.
No dia seguinte, passei o dia inteiro na cama, por ordem médica. Ceci ficou comigo o tempo todo no quarto. Ela e Mel pareciam finalmente ter se acertado. Minha filha agora permitia que Ceci a pegasse no colo. O dia foi tranquilo, sem nenhuma ameaça da parte de Charlotte.
Mesmo assim, eu ainda estava tensa, com medo de que ela fizesse algo.
Quando a noite chegou, meu celular tocou. Ao ver o nome de Victor na tela, meu coração deu um salto no peito. Fiquei parada por alguns segundos, sem saber se atendia ou não. Suspirei fundo e atendi.
— Alô — falei sem jeito, sem saber o que dizer.
— Elisa, como você está se sentindo? — perguntou com aquela voz máscula e grave que tanto me encantava e fazia meu corpo reagir.
— Estou bem.
— E a Mel e o bebê?
— Estão bem — respondi apenas, ainda sem saber como conversar com ele depois de descobrir que estou apaixonada.
— Desculpe não ter ligado durante o dia — disse, com a voz cansada. — Foi bastante agitado por aqui.
— Eu entendo, Victor. Não precisa se preocupar. Estamos todos bem.
— Fico feliz e tranquilo em saber. Tenho novidades.
— Então me conta? — pedi, deixando a curiosidade falar mais alto e esquecendo a vergonha que sentia minutos antes.
— Descobrimos que Afonso e Charlotte estão trabalhando juntos. Afonso ajudou a enviar aquele pacote e o buquê para você. As impressões encontradas eram dos dois.
Fiquei surpresa com a revelação. Eu acreditava que quem havia ajudado Charlotte fosse o pai dela. Saber que o senador Afonso estava envolvido foi um choque.
— Isso é muito preocupante. O que você vai fazer?
— Já pedi para os advogados cuidarem disso. Não se preocupe. Apenas cuide de você e dos nossos filhos.
Concordei. Conversamos mais um pouco sobre o dia dele e encerramos a ligação. Eu não tinha como me envolver naquele assunto. Não tinha poder para enfrentar os inimigos que surgiram para nos infernizar.
As semanas foram passando, e eu e Victor fomos criando um vínculo, um laço. Eu gostava de conversar com ele. Era bom, confortável. Eu me pegava olhando para o celular o tempo todo, esperando pela ligação que sempre acontecia. Três vezes ao dia.
E meu sentimento por ele só crescia. A cada dia, mais apaixonada, mais encantada. Ainda assim, havia um receio. Eu não sabia exatamente o que ele sentia por mim.

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