ELISA RIVER.
Prendi a respiração por alguns segundos, sentindo o peso da pergunta de Ceci cair sobre mim. Meu coração batia acelerado, como se já tivesse dado a resposta antes mesmo de eu abrir a boca.
— Eu amo o Victor — falei, enfim, com a voz baixa, mas firme. — Achei que estivesse apenas apaixonada, mas não é isso. É amor.
Ceci sorriu imediatamente, como se aquela confirmação fosse algo que ela já soubesse havia muito tempo. Ela voltou a se sentar na beira da cama, segurando minhas mãos com carinho.
— Então por que você não disse isso a ele? — perguntou, curiosa, mas sem julgamento.
Suspirei fundo.
— Porque eu fiquei em choque, Ceci. Foi tudo tão inesperado… ouvir aquilo, daquele jeito, naquela hora. Eu simplesmente travei. — Engoli em seco antes de continuar. — E também porque eu não sabia o que ele sentia por mim. Eu tinha medo. Medo de amar sozinha.
Ela inclinou a cabeça, atenta a cada palavra.
— Mas agora você sabe — disse, animada. — Ele te ama.
— Eu sei — respondi, sentindo o peito se aquecer. — E exatamente por isso… eu quero fazer diferente. Já que ele me deu tempo para responder, eu quero dizer que o amo de um jeito especial. Não por telefone. Quero olhar nos olhos dele. Quero esperar ele voltar e falar pessoalmente.
Os olhos de Ceci brilharam.
— Ai, Eli, isso é perfeito! — disse, empolgada. — Meu Deus, isso é tão vocês dois. Ele vai amar isso, tenho certeza.
— Eu espero — murmurei, sentindo um frio gostoso no estômago. — Quero que seja verdadeiro, intenso. Como eu sinto.
— Vai ser — garantiu. — Agora tenta descansar. Amanhã é domingo, meus pai virão passar o dia conosco.
Ela se levantou, me deu um beijo carinhoso na testa e saiu do quarto. Fiquei sozinha, deitada, olhando para o teto escuro, com um sorriso bobo insistindo em aparecer. Olhei para o berço e Mel dormia tranquila.
Eu estava eufórica. Cada palavra de Victor se repetia na minha mente. Eu te amo. Era surreal. O sono, estava ali, mas eu estava muito agitada para fechar os olhos e adormecer. Meu corpo estava cansado, mas minha cabeça não parava. Pensava nele, no bebê, na Mel, no futuro que começava a se desenhar diante de mim.
Em algum momento, sem perceber, o cansaço venceu. A sonolência falou mais alto do que a euforia, e eu acabei adormecendo.
O domingo chegou leve, ensolarado, quase cúmplice da minha felicidade. Foi um dia típico de família. Risadas, conversa solta e boa comida. Senhora Abigail estava animada, Mel tranquila, Ceci elétrica como sempre. Thomas e Eleonor estava animado com a chegada do bebê e com o avanço da minha relação com Victor. Cecilia, língua comprida contou para eles. O clima era bom, acolhedor, como se por algumas horas o mundo tivesse decidido nos dar trégua.
Victor ligou três vezes ao longo do dia, exatamente como vinha fazendo.
— Bom dia, meu amor — ele disse na primeira ligação, a voz quente atravessando o telefone. — Dormiu bem?
— Dormi, sim — respondi, sorrindo. — E você?
— Dormi bem, mas estou melhor agora, ouvindo sua voz.
Conversamos sobre coisas simples. O café da manhã, o tempo, a saudade. Ele não me cobrou nada. Não tocou no assunto da noite anterior. Cumpriu a promessa.
Na segunda ligação, à tarde, eu estava sentada no sofá, com as pernas esticadas.
— Já estou contando as horas para estar aí — ele confessou. — Queria estar com você agora.
— Eu também — respondi, sincera. — Não vejo a hora.

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