VICTOR BALTIMOR.
— Que tipo de ameaça? — perguntei, já sabendo que nada vindo daquela mulher seria simples.
Pablo hesitou por um instante.
— Uma caixa. Com flores… e um rato decapitado dentro.
Meu sangue ferveu. Minhas mãos se fecharam em punhos automaticamente.
— Ela está bem? — perguntei, com a voz tensa. — Elisa está bem? E a Melissa?
— Elisa passou mal. Desmaiou — respondeu. — Mas já está sob cuidados. Os seguranças agiram rápido. A casa foi isolada.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a raiva e a preocupação me consumirem.
— Aquela desgraçada… — rosnei entre os dentes. — Como a segurança deixou isso acontecer? Eu deixei bem claro quando disse que nada, nem ninguém, deveria entrar sem autorização.
— Eles passaram o detector de metais e explosivos, e deu negativo. Então deixaram entrar.
Abri os olhos e encarei Pablo.
— Átila não estranhou?
— Ele pensou ser um presente do senhor para Elisa.
Suspirei, pois não era culpa de Átila.
— Passe as ordens para a segurança: não é para receber nada que chegue, a menos que esteja previamente avisado. E tudo o que entrar na casa deve ser aberto e examinado, principalmente se for para Elisa.
— Farei isso imediatamente.
— Mude toda a agenda de Quebec. Vou voltar para casa. Reforce a segurança ao máximo. Quero relatórios de hora em hora.
— Já estou providenciando, senhor.
— Descubra como ela conseguiu enviar aquilo para a minha casa. Encontre quem a está ajudando. Pois sozinha que não foi.
— Sim, senhor — respondeu, assentindo.
Meu corpo estava em Ottawa, mas minha mente, meu coração e minha alma estavam em casa, com Elisa e nossos filhos.
Charlotte havia ultrapassado todos os limites. E agora, ela iria pagar por isso. Eu queria muito falar com Elisa imediatamente, mas achei melhor chegar ao hotel para termos privacidade.
Fechei a porta do quarto do hotel com força controlada. O silêncio parecia gritar. Minha cabeça latejava, o peito apertado, e a imagem de Elisa grávida e Melissa não saía da minha mente. Aquela maldita havia atravessado uma linha irreversível.
Peguei o celular e disquei imediatamente. Chamou duas vezes.
— Victor? — a voz de Elisa soou cansada, mas firme.
— Elisa… — respirei fundo ao ouvi-la. — Você está bem? E a Melissa e o bebê?
— Estamos bem — respondeu. — Assustadas, claro, mas bem. A Mel dormiu agora há pouco. O bebê está bem, doutor Walter, garantiu que ele está bem, fora de perigo.
Fechei os olhos por um segundo, suspirando aliviada e tentando conter a raiva por Charlotte, para não assustar Elisa.

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