VICTOR BALTIMOR.
Então eu estava certo. Aquela infeliz realmente teve ajuda. Desde o primeiro instante, eu soube que Charlotte não teria agido sozinha. Ela nunca age. Sempre existe alguém a ajudando por trás, alguém disposto a sujar as mãos por ela. E, no fundo, eu já suspeitava quem era. Aquele pai maldito. Quem mais seria capaz de se envolver em algo tão baixo? Ele sempre fazia tudo por aquela filha psicopata dele.
Mas suspeitas não bastavam. Eu precisava de certeza. Precisava de provas. Só assim eu poderia esmagar aquele desgraçado com precisão, sem deixar margem para erro.
— Descubra quem — ordenei, com a voz dura, controlada. — E dê um jeito. Rápido.
— Sim, senhor — respondeu Pablo, sem hesitar.
Desliguei e fui direto para o banheiro. Fechei a porta com mais força do que pretendia e liguei o chuveiro. Tomei um banho longo, a água quente escorrendo pelo meu corpo tenso, batendo nos ombros, nas costas, na cabeça. Mas nada daquilo levou embora a pressão que me consumia por dentro. Minha mandíbula permanecia travada, os músculos rígidos, como se meu corpo inteiro estivesse em estado de alerta.
Minha mente não parava. A imagem de Elisa pálida, desmaiada, e de Melissa assustada não saía da minha cabeça. Charlotte havia cruzado uma linha que não deveria jamais ter se aproximado. Ela não ameaçou só a minha mulher. Ela ameaçou meus filhos.
Tentei comer alguma coisa depois, mas foi inútil. Levei o garfo à boca apenas uma vez antes de empurrar o prato para longe. O estômago estava embrulhado. Não havia espaço para comida no meio daquela merda toda que Charlotte estava causando na minha vida. Aquilo tudo me enojava.
Resolvi tentar dormir. Deitei na cama, apaguei as luzes, mas fiquei virando de um lado para o outro. O sono simplesmente não vinha. Cada vez que fechava os olhos, minha mente disparava novamente. Pensava em Charlotte, em Elisa, em Melissa… e até o desgraçado do Afonso resolveu se infiltrar nos meus pensamentos, como uma sombra insistente. Tudo se misturava num nó sufocante de raiva, preocupação e frustração.
Quando o relógio marcou quatro da manhã, eu já estava de pé. Vestido. Pronto para sair. Não dormi um único minuto naquela madrugada. O cansaço era profundo, mas a fúria me mantinha desperto.
Desci para o saguão do hotel. Lá fora ainda estava escuro, o céu pesado, como se refletisse meu estado de espírito. Pablo já me esperava. Seu semblante sério demais para aquele horário confirmava que ele também não havia dormido, ocupado demais tentando resolver os problemas que se acumulavam.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.