VICTOR BALTIMOR.
Ottawa sempre foi estratégica. Política, negócios, educação. Minha primeira parada não poderia ser diferente. Assim que pisei na cidade, o dia já começou intenso, cronometrado, sem espaço para distrações.
O automóvel seguiu direto para o hotel onde ocorreria a primeira reunião. Pablo estava ao meu lado, atento, tablet em mãos, revisando a agenda.
— Temos uma reunião com o conselho de empresários em vinte minutos — informou. — Depois seguimos para o centro de convenções. A imprensa já confirmou presença.
— Ótimo — respondi, ajustando o paletó. — Quero objetividade. Nada de discursos longos.
— Eles estão interessados nos investimentos na área hospitalar e nos incentivos para expansão no norte do país — completou.
— Exatamente o que vamos oferecer.
A reunião foi longa, técnica, cheia de números, projeções e interesses cruzados. Aperto de mãos, sorrisos calculados, promessas veladas. Política e dinheiro andando juntos, como sempre. Saímos direto para o centro de convenções.
No caminho, Pablo quebrou o silêncio.
— Senhor, à noite seguimos para a universidade. O professor responsável pelos estágios já confirmou.
— Ótimo. Essa parceria será muito importante. Quero formar profissionais qualificados dentro da nossa rede desde cedo.
— Eles estão muito interessados — disse ele. — Principalmente na possibilidade de intercâmbio entre hospitais.
No centro de convenções, fiz a aparição prevista. Discursar nunca foi um problema. Cumpri o protocolo, falei sobre crescimento, educação, saúde pública e privada, fui aplaudido, cumprimentei pessoas, posei para fotos. Tudo automático.
Mas, em um certo momento, mesmo envolvido numa conversa. Notei Pablo mais quieto do que o normal. Sempre atento, mas havia uma tensão discreta em seus ombros, no modo como checava o celular e tornava a guardá-lo no bolso. Eu já o conhecia há anos e sabia quando algo o estava preocupando.
— Está tudo certo? — perguntei, enquanto caminhávamos para o automóvel.
— Sim, senhor — respondeu rápido demais. — Apenas acompanhando os horários.
Não insisti. Ainda tínhamos a visita à universidade, esse era o compromisso mais importante do dia.
O campus era amplo, organizado, respirava conhecimento. Fui recebido pelo diretor e por um professor da área da saúde. Eu queria fazer uma parceria com a universidade e o projeto que eu estava implantando nos meus hospitais. Essa era uma ação pessoal. Não tinha interesses políticos. Só aproveitei minha visita para tratar sobre assunto particular.

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