ELISA RIVER.
Meu grito ecoou pela sala. Mel reclamou e começou a chorar.
A caixa caiu longe, deslizando pelo tapete, e o conteúdo se espalhou parcialmente. Meu estômago revirou na mesma hora. Levei a mão à boca, sentindo um enjoo violento subir pela garganta.
Na caixa havia um rato morto. Decapitado. Que mente doentia me mandaria uma coisa daquelas?
O corpinho estava rígido, o sangue seco manchava o fundo da caixa, e a cabeça havia sido colocada ao lado, como um troféu macabro. O cheiro era forte, nauseante, misturado com o perfume das rosas que ainda estavam na mesa de centro.
— Meu Deus… — Ceci murmurou, levando a mão à boca. — Que coisa doentia e nojenta!
Meu coração disparou. O ar parecia pesado demais para entrar nos meus pulmões. Minhas mãos tremiam, e senti minhas pernas ficarem fracas. Quem me mandaria algo assim? Tentei pensar em quem poderia querer o meu mal e lembrei da conversa com a senhora Abigail mais cedo. Charlotte… só podia ser ela.
— Aquela desgraçada… — sussurrei, sentindo a raiva se misturar ao medo. — Foi ela.
Dei um passo para ir até Mel, que chorava.
— Eli, calma — disse Ceci, se levantando rapidamente e ficando na minha frente, como se pudesse me proteger. — Não chegue perto disso.
— Não vou. Quero chegar até minha filha, que está assustada.
Peguei Mel nos braços e me afastei, tentando acalmá-la e me acalmar.
— Ela quer me assustar — falei, com a voz falhando. — Quer que eu saiba que ela pode chegar até mim. Até aqui dentro — falei, nervosa e tremendo.
Átila, que havia saído da sala, apareceu correndo, alarmado com o barulho do meu grito.
— O que aconteceu? — perguntou, até seus olhos pousarem na caixa no chão.
Ele empalideceu.
— Senhor, meu Deus… — murmurou, tenso. — Não toquem nisso.
— Chame os seguranças agora — ordenou Ceci, sem tirar os olhos da caixa.
Átila assentiu e saiu imediatamente.
Senti um calafrio percorrer minha espinha. Olhei para as rosas na mesa. O vermelho vivo das pétalas agora parecia grotesco demais, quase uma provocação.
— Isso é uma ameaça — falei, sentindo as lágrimas se acumularem nos olhos. — Direta. Para mim… e para a Melissa.
— Aquela psicopata passou de todos os limites — disse Ceci, furiosa. — Isso não é só loucura, é um aviso. Ela quer te fazer mal, amiga.

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