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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 172

VICTOR BALTIMOR.

Eu nem me recordava daquele quarto. Havia mandado fazer para descansar porque às vezes trabalhava até tarde da madrugada, para não ter que subir escada para ir para meu quarto. Mas nunca cheguei a usá-lo. Eu simplesmente o esqueci.

O quarto era amplo, bem iluminado e estava completamente adaptado. Movimentei a cadeira pelo local, sentindo o piso liso e fácil de manusear. Havia uma cama king size posicionada de forma que eu pudesse me mover facilmente com a cadeira se me atrapalhar. Ao lado, uma mesa de apoio com equipamentos médicos discretos, tudo arrumado com precisão, sem bagunça.

O banheiro era visível pela porta aberta. Fui até lá — era amplo, claro, eu gostava de espaço, foram instaladas barras de apoio. O box era sem degrau, eu não gostava de obstáculo no banheiro, era perigoso para qualquer um e agradecia por mandar que fosse feito assim. O chuveiro foi substituído por um adaptado. No canto estava minha banheira, suspirei de antecipação ao entrar ali. Como eu almejava um banho demorado, numa banheira.

Saí do banheiro, ansioso para me lavar.

No quarto havia até uma poltrona grande perto da janela, com vista para o jardim. Tudo pensado, tudo organizado. O cheiro de tinta fresca ainda pairava no ar, mostrando que a reforma havia sido recente, às pressas. Mas o cheiro não me incomodou. Qualquer cheiro era melhor que aquele do hospital.

Fiquei sem palavras. Meu peito apertou forte. Elisa havia feito isso por mim. Ela preparou um espaço para que eu não precisasse sofrer subindo escadas, para que eu tivesse dignidade, comodidade e liberdade na minha própria casa.

Meu coração batia descompassado. Uma mistura de gratidão, confusão, irritação comigo mesmo e algo mais profundo que eu não conseguia nomear me invadia. Por que ela faria isso? Por que se importava tanto se eu a tratei como uma estranha? Como uma intrusa e com frieza?

Eu olhava para o quarto, impactado, enquanto minha família esperava minha reação. O ar parecia rarefeito. Eu estava tenso, eu estava me sentindo prestes a explodir — de raiva, de emoção, de frustração por não lembrar de nada.

E eu ainda não conseguia dizer uma única palavra, com aquela demonstração de cuidado, carinho e afeto de Elisa por mim. Então ouvi a voz da minha mãe:

— E então, filho, gostou do quarto?

— Sim, gostei.

— Que bom, Victor. Pois Elisa cuidou de cada detalhe, pessoalmente. Ela pensou em tudo do jeito e como você gostava. Quis te agradar e tornar as coisas mais aceitáveis para você — contou Eleonor.

A cada minuto que passava, eu achava essa Elisa mais intrigante. Ela era linda e muito atraente. Eu com certeza iria ter algo com ela. Mas sua personalidade não combinava com a que eu gostava que as mulheres com quem eu me envolvia tivessem.

Ainda não entendo como fui amá-la. Prometi a mim mesmo que não amaria mais ninguém, desde Charlotte, aquela maldita, que me inferniza a vida. Falando nessa infeliz, eu bem que poderia ter esquecido o tempo que estivemos juntos e todas as merdas que ela me fez após nosso término.

— Está tudo bem, Victor?

Olhei na direção do meu irmão, que me perguntou com preocupação.

— Estou bem, só preciso de um bom banho. Podem chamar o enfermeiro para me ajudar a sair da cadeira, quero entrar na banheira e relaxar um pouco.

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