ELISA RIVER.
Cheguei ao quarto e Ceci não parava de me perguntar como foi a conversa com Victor. Eu revirava os olhos, pois sabia que essa bisbilhoteira havia ouvido tudo. Coloquei Mel no trocador e, com cuidado, comecei a tirar sua roupa para trocar a fralda.
— Ceci, pare de falar antes que acorde Melissa. E pegue as coisas para me ajudar a limpar, sua prima.
— Poxa, Eli, eu só quero que me conte como foi a conversa — disse ela, descontente, indo pegar o lenço umedecido, o talco e a fralda.
— Pare de reclamar. Você disse que viria me ajudar e não fofocar.
— Que mal tem fazer ambos?
— Pare de drama, que você ouviu tudo que foi dito.
— Nem tudo. Tem partes que não deu para escutar bem. E eu quero saber aquilo que não vimos. Sua reação, a do meu tio, o que você pensou e o que está sentindo.
Questionou-me, entregando-me o lenço umedecido. Quando tirei a fralda, ela fez uma careta.
— Nossa, Mel, que fedor, cruz credo. Assim você mata sua prima — disse, tampando o nariz e se afastando.
— Até parece que você faz cheiroso. Você caga pior que minha filha.
— Elisa! — reclamou, envergonhada.
— Falei alguma mentira?
— Que tal mudarmos de assunto? Essa conversa é inapropriada.
— Sei. É só parar de falar mal da minha pequena que está tudo certo — respondi e pisquei para ela.
— Você é assustadora como mãe superprotetora, sabia?
— Se eu não defender minha filha, quem vai?
— Verdade. Mas voltando ao assunto, tio Victor. Você achou que ele se lembrou de alguma coisa?
Suspirei desanimada e, quando fechava a fralda suja e deixava de lado, Mel dormia profundamente. Coitada da minha filha, ficou tão feliz em estar com o pai. Ela sentia falta de Victor. E saber que ele estava tão perto e ao mesmo tempo tão distante me doía profundamente, ainda mais pela minha filha, que não entendia o que estava acontecendo à sua volta.
— Não sei. Eu não conheço esse Victor que está naquela cadeira de rodas.
— Achei que ele estava diferente quando vocês saíram. Alguma coisa mudou nele com aquela conversa. Ele te reconheceu como a mulher do sonho. Isso é ótimo.
— Sim, reconheceu, mas não lembrou de mim, muito menos de Melissa.
— Mas ele ficou com ela no colo e não a repeliu. É um avanço.
— Verdade. Não sei o que pensar ou fazer. Mas notei uma certa mudança em seu tio. Ele ficou um pouco mais tolerante. Não brigou ou me afastou dessa vez.
— Excelente. Mas me diga, o que pretende fazer agora? Vai continuar com a decisão de sair daqui e ficar na edícula?
Eu a olhei por alguns segundos, parei o que estava fazendo, depois voltei a atenção para a fralda que eu colocava em Melissa.
Eu não sabia se deveria ficar após a nossa conversa na cozinha. Mas eu não queria pressioná-lo, muito menos impor minha presença. E também precisava pensar em mim e nos meus filhos. O que essa situação causaria a minha gravidez.
— Vou para a edícula. Será melhor para mim e meus filhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.